Blogue do MOVIMENTO CENTÚRIA LEONINA. Na defesa do nosso e sempre eterno SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, honrando a sua grandeza e em obediência às raízes, vocação e ambições históricas do mesmo, TODOS, continuaremos a lutar pelo sonho dos fundadores e para que se cumpra o nosso lema – Esforço, Dedicação, Devoção e Glória, eis o SPORTING CLUBE DE PORTUGAL. Contacte-nos via e-mail em centurialeonina.ce@gmail.com - VIVA O SPORTING!

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Estreia da semana

Pedro Barbosa dirigiu-se a todo o plantel manifestar insatisfação o nosso futebol, últimos resultados conseguidos e exibições patenteadas pela equipa. A nota de destaque vai, todavia, para esta frase:

"Esta foi, aliás, a primeira vez, desde que chegou à sua actual posição, que o director-desportivo se dirigiu directamente a todo o grupo de trabalho. "

Ler aqui em Record.

Entrelinhas...!

"Temos de fazer muito melhor. A grande desilusão é a qualidade exibicional, mas os próprios jogadores dizem que não tem nada a ver com o treinador. Há auto-exigência de um grupo brioso, unido, que está incondicionalmente com o treinador, e um grupo desejado pelo Paulo Bento. Ele faz claramente parte da solução, embora todos reconheçamos que a cada dia que passa... Se sentisse que ele era parte do problema, consigo separar as coisas, amizade de competência e trabalho. Não tenho certeza nenhuma de que, com outro, as coisas vão melhorar"

José Eduardo Bettencourt, citado em O Jogo

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Estava pensado como um elogio, certo?

"Só quem não conhece o presidente leonino poderá pensar que JEB se sente refém da frase "Bento forever". O problema do líder é saber que as pessoas em quem pode realmente confiar no Sporting são Ribeiro Teles, Pedro Barbosa e Paulo Bento. Dali não virá nenhuma facada nas costas. São muitos anos de solidariedade testada a ferro e fogo. Já no grupo das hienas que aproveita os maus resultados para desejar, mais ou menos de cabeça de fora, a destituição do técnico - e porque não da SAD - , Bettencourt não acredita tanto. Apesar de gente muito próxima diariamente lhe zurzir aos ouvidos que Bento deve cair, Bettencourt vai resistindo. Sabe que por ser o primeiro presidente profissional ficará na história. E quer ser visto como um Pinto da Costa, que defende os seus, não alguém que deixa cair quem com ele vai à guerra."

Bernardo Ribeiro, hoje no Record (pág. 2)

Analise-se (também)... isto...

Porque quem não tem complexos de inferioridade, nem inseguranças relativamente à sua dimensão e tem a noção da sua grandeza, pode reflectir, de forma séria e intelectualmente honesta, sobre a realidade dos adversários;
Porque qualquer estratégia vencedora num mercado altamente competitivo deve prever uma análise da concorrência;
Porque para se vencer uma Guerra é preciso conhecer os pontos fortes e os pontos fracos de um dos seus oponentes;

Creio que importa fazer uma cuidada análise ao que hoje foi veiculado pelo Diário Económico.
O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, e o administrador da SAD benfiquista, o conhecido Sportinguista Domingos Soares de Oliveira, deram uma entrevista ao Diário Económico. Contas, futebol, jogadores, novo fundo, bolsa e o futuro do clube foram os grandes temas abordados ao longo da entrevista.

“O Benfica ultrapassou a meta dos 200 mil sócios. Qual é agora o objectivo e em quanto tempo pretendem alcançá-lo?
LFV: A estratégia utilizada, desde que chegámos a esta casa, está focada nos sócios do Sport Lisboa e Benfica. Pensamos que iremos conseguir cumprir o novo objectivo que é atingir os 300 mil sócios.
Tem algum objectivo definido em termos de ‘timing' para atingir os 300 mil sócios?
LFV: Não tenho uma meta temporal, apenas o objectivo final. Confesso que tinha uma determinada expectativa que não foi cumprida. Gostaria de estar já a celebrar os 300 mil, mas fui demasiado ambicioso. Agora, alcançámos os 200 mil sócios, o que não deixa de ser notável. Não em seis ou sete meses. Sinceramente não sei em quanto tempo, mas da forma como a equipa se está a aproximar dos sócios chegaremos lá em breve.
Destes 200 mil sócios, quantos são pagantes?
LFV: Mais de 60% têm débito directo. E fomos o último clube a fazer uma remuneração de todo o universo de sócios. Foi em 2005. Isso significa que todos aqueles que já não reuniam as condições foram "limpos" da base de dados.
Como estão as negociações para o ‘naming' do estádio?
DSO: Continuamos em negociações. Ainda não está fechado o processo. Este é talvez o projecto mais difícil em termos de venda.
Difícil porquê?
DSO: Difícil porque é um valor elevado, embora não seja mais caro do que as camisolas. Enquanto o patrocinador das camisolas tem uma visibilidade diária, o patrocinador do estádio não tem essa mesma visibilidade. Continuamos com propostas activas e acreditamos que, a curto/médio prazo, vai ser possível fechar esse patrocínio.
E estamos a falar de empresas nacionais que já apresentaram propostas?DSO: Estamos mais a falar de empresas internacionais, do que nacionais. Sim, já apresentaram propostas. Para uma empresa internacional, a sua associação ao Benfica é muito forte. O melhor exemplo é o caso da Repsol. A frota de clientes/sócios do Benfica é hoje o primeiro, ou o segundo, melhor cliente da Repsol.
E quais são as grandes prioridades para este mandato?
LFV: A herança que recebemos foi muito pesada. Ainda hoje temos de responder por erros e irresponsabilidades de um determinado período da nossa história. Durante a campanha eleitoral, assumi que a prioridade seria a vertente desportiva. Queremos deixar o museu concluído e fazer a revisão de estatutos.
A casa está arrumada?
LFV: Sim, a casa hoje já está arrumada. O que nos tem faltado são os resultados desportivos, sobretudo porque tínhamos outras prioridades.
Está de tal forma apetecível, que receia uma nova Oferta Pública de Aquisição?
LFV: Não, não receio. O maior accionista da SAD Benfiquista vai ser sempre o clube. Esse perigo não existe.
Noutras SAD, o presidente é bem remunerado. No Benfica, o presidente não é pago. Qual é a lógica?
DSO: Nenhum dos Órgãos Sociais eleitos pelos sócios é remunerado. É a lógica de quem serve o Benfica, serve com espírito de missão e não de qualquer remuneração. E não creio que haja intenção de alterar essa situação.
As goleadas já estão a reflectir-se nas receitas de bilheteira?
LFV: As receitas de bilheteira são compostas por duas vertentes. Aquilo que são as receitas dos bilhetes de época, cativos e camarotes cresceu face aos últimos anos. E depois temos uma segunda vertente de jogo a jogo que, tipicamente, é mais comprado por adepto do que por sócio. Nesta vertente, estamos com o triplo da facturação, em relação ao ano passado. No campeonato nacional e nas competições europeias estamos com o volume de receitas 30% acima do valor do ano passado.
LFV: Os resultados vão reflectir a estratégia. Para além disso, se uma liga dos Campeões vale cerca de 15 milhões de euros... é uma questão de fazer contas. Mas repito, sabemos exactamente o terreno que estamos a pisar. A conta de resultados será influenciada de forma significativa mas, do ponto de vista financeiro, temos a capacidade para aguentar esse impacto de não vender jogadores. Toda a gente reconhece que os activos, os jogadores, valem muitíssimo mais hoje do que valiam há um ano atrás.
Durante dois anos?
LFV: Durante dois, se for necessário. Se isso é algo que queremos manter ‘ad eternum', depende também do que queremos fazer em termos de investimento. Hoje temos o melhor plantel dos últimos anos.
Quando vão dar lucros?
DSO: Evidentemente que não vamos dar prejuízos ‘ad eternum'. Acreditamos que conseguiremos voltar aos lucros e ter os capitais recompostos no espaço de três ou quatro anos.
Quando conseguirão ter os capitais próprios repostos?
LFV: A meta definida é o ano de 2013. E este projecto desportivo tem de ser sustentado ao longo dos próximos três a quatro anos. Se conseguirmos renegociar os contratos, colocamos o Benfica num patamar completamente diferente.
A crise financeira também teve impacto no Benfica?
LFV: Teve impacto no Benfica, como em todo o lado. Mas apesar de tudo não nos podemos queixar muito. Como em qualquer outra empresa, tivemos maior dificuldade de acesso ao crédito. Posteriormente, reflectiu-se também no aumento dos ‘spreads'. Já do ponto de vista de receitas, não sentimos impacto. Assinámos contratos, que melhoraram os valores que vinham do passado. O potencial de valorização da marca Benfica foi positivo."

Note-se que, o Diário Económico refere ainda que:


"Aos 30 golos já marcados pelo Benfica, somam-se ganhos de 19 milhões de euros em bolsa desde a chegada de Jesus.
A contratação do técnico trouxe alegrias aos adeptos benfiquistas, que festejaram 30 golos nos últimos oito jogos, o melhor registo em quatro décadas, e também aos investidores.
É que desde que Jesus foi anunciado como treinador das "águias", no dia 17 de Junho, as acções do clube já valorizaram 67,9%. O mesmo é dizer que o valor de mercado do Benfica engordou em 18,75 milhões de euros.
No mesmo período, os títulos da SAD portista desceram 2,2%, enquanto que as acções do Sporting deslizaram 0,8%.
A contribuir para este invulgar desempenho em bolsa esteve também a criação do "Benfica Stars Fund", um fundo de investimento que tem como activos os passes de jogadores de futebol, como Di Maria, David Luiz e Javi Garcia.
Esta cotação avalia a SAD encarnada em 46,35 milhões de euros. Desde o início do ano, os títulos do Benfica acumulam ganhos de 47%."

Sentido de Urgência

Ouvi com atenção as declaração de ontem do Presidente José Eduardo Bettencourt.

Diz ele que sabe quais são os problemas que assolam o futebol do Sporting, sabe como se trabalha para os resolver e não acredita que o despedimento do treinador contribuísse o que quer que fosse para os solucionar. Assim, não despedirá Paulo Bento apenas para satisfazer exigências de terceiros.

Há muito que digo também que o treinador não é o problema, é apenas parte de um grande problema.

Mas se é assim, exige-se do Presidente do Sporting que torne claro quais são então esses problemas, e que medidas são essas que estão a ser desenvolvidas para os resolver.

Sem visibilidade para esses importantes aspectos que, supostamente, são o iceberg escondido por baixo da ponta que é o treinador, como poderão os terceiros interessados, nós os sócios, compreender o que se passa?

Aquilo que os sócios e adeptos percebem é uma total desorganização na equipa de futebol, a perca de controlo por parte do treinador do desempenho da equipa, e sinais de resignação e desmotivação de alguns jogadores, já para não falar no resultado calamitoso da pior temporada dos últimos 18 anos. Neste quadro, dando como plausível o diagnóstico de que os problemas são outros, como quer Bettencourt que os sócios e adeptos (que "do mais importante" passaram a ser "terceiras partes") compreendam realmente o que se passa?

Tenho para mim que, desde que chegou à presidência do Sporting, Bettencourt tem feito um exercício desastroso de gestão de expectativas, enquanto aparenta estar completamente só na estrutura directiva. É hora de começar a ser claro e transparente com a massa associativa, explicando EXACTAMENTE o que se passa e o que se pensa fazer. As terceiras partes interessadas, que concederam a este Presidente um mandato de legitimidade indiscutível, TÊM o direito de saber.

Sob pena de este Presidente cometer um feito há pouco tempo impensável: desbaratar em pouco tempo o capital de confiança que há poucos meses aglutinou.

Para já, aquilo que parece é que, debaixo do argumento de que o Sporting tem para com Paulo Bento uma enorme dívida de gratidão, a defesa dos interesses e da imagem deste último passaram a ser mais importantes que os do próprio Sporting Clube de Portugal.

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Estados de alma I

Porque hoje, especialmente hoje, não me apetece especialmente falar de futebol (chamem-me Bettencour(ista), outro caro consócio a quem o tema aparenta, também, não ser grato. Porém, ninguém é perfeito.
Foi com antropológico interesse, paixão leonina e poucas, porém esclarecidas, expectativas competitivas que há tempos me desloquei ao Multidesportivo do Estádio de Alvalade para tomar parte na III, espera-se, definitiva ronda do mais recente plano de salvação da viabilidade económica do Sporting Clube de Portugal.
Eis o que vi:
(i) Sócios artistas/cantores indignados com os jogadores “de merda” da equipa de futebol;
(ii) Sócios Conselheiros da Revolução incomodados com minorias de bloqueio;
(iii) Advogados desconhecedores da figura do trespasse, assim como da compra e venda sujeita a condição;
(iv) Sócios com imensos anos de vida, e de sócio, parte substancial dos mesmos dedicada à análise da importância da antiguidade no que respeita a intervenções em assembleias gerais;
(v) Sócios ainda mais antigos que os antecedentes;
(vi) Sócios que não gostam que outros sócios e adeptos apupem trabalhadores do Sporting Clube de Portugal quando os mesmos desempenham de forma deficiente e sem brio as funções de entretenimento para as quais foram contratados com dinheiros do Clube, fruto, também, das quotizações e ingressos de entrada pagos por sócios e adeptos que ganham em média 1/100 parte dos salários e prémios percebidos pelos tais jogadores – alguns deles apelidados “de merda” (ver (i) acima);
(vii) Sócios discordantes e desconhecedores da proposta de “salvação” apresentada pela Direcção em assembleia geral, pela terceira vez, sufragada em sede de programa de candidatura e debatida em processo eleitoral findo em Junho. Será, porventura, oportuno notar que a discordância se foi expressando sob a forma de balidos e de incitamentos como “vai p’ó caralho!”; o que, de imediato, me levou a imaginar o cordeirinho da pequena Heidi, vítima de ataques de pornolalia.

As moções colocadas a discussão e deliberação foram aprovadas com as necessárias maiorias, qualquer delas inexpressiva face à maioria de sócios desconhecedores do alcance e conteúdo das deliberações adoptadas. Ressalve-se o enternecedor esforço linguístico descrito em (vii) acima.

No meu caso, chegada a altura de votar, foi com lágrimas nos olhos, originadas pelos balidos de tão simpáticas criaturas, que votei favoravelmente as propostas. Digamos que me pareceu, enfim, estúpido, não o fazer face à absoluta ausência de alternativas às propostas da Direcção. Desconheço se a Direcção chegou a agradecer tal facto. Porém, fazê-lo seria da mais elementar boa educação.

Em suma, foi interessante constatar mais um momento áureo do “Projecto Roquette”, assim como a absoluta ausência de alternativas válidas ao mesmo. Acerca deste assunto, escreverei mais à frente.

50%

Segundo se lê aqui, o Sporting tem 12 pontos em 24 (oito jornadas) possíveis. Será que basta?

Lá por fora...

“Manter este rumo de desculpabilidade baseada em factores externos à direcção técnica do futebol (pelas arbitragens, pelos adversários directos ou pelos orçamentos) revela fragilidade, falta de pulso, pequenez, dúvida, desconfiança e falta de auto-estima. Isto transmite-se como uma doença a todo o universo sportinguista. Você (JEB) foi eleito para tomar decisões, muitas delas serão muito difíceis (evocando o despedimento de PB). Os sócios e adeptos saberão reconhecer essa dificuldade e atribuir-lhe-ão mais valor por isso. Não os desiluda, por favor!”

Post colocado por JMO em A Norte de Alvalade.

Depois da liga, do árbitro e da relva....

"Claro, os jogadores são os primeiros a terem de assumir a responsabilidade. Quando o momento é bom primeiro vêm os jogadores e o treinador está lá no fundo, quando é mau, primeiro vem o treinador e só depois os jogadores."

Fonte: www.ojogo.pt

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Bernardo Ribeiro dixit

“Bettencourt sabe que os constantes problemas de investimento da equipa, intenção que este defeso voltou a falhar, são mais culpa sua e dos gestores que o acompanham do que de um técnico a quem o pedido é sempre o mesmo (...)”

Hoje, no Record.

4 anos a resistir, ser tenaz e persistente...

«Como líder, é o primeiro a dar o exemplo de não atirar a toalha ao chão. Paulo Bento é um exemplo de resistência, tenacidade e persistência»
[José Eduardo Bettencourt, (ver aqui)]

HOJE

Em Guimarães nasceu a Nação.

Espero que hoje, em Guimarães, a nossa equipa renasça. Mas é Hoje. Tem de ser Hoje.

Muita coisa tem corrido mal. Demasiadas coisas têm corrido mal, mas ainda há tempo para corrigir este trajecto que tem sido muito penoso para todos.

Vencendo em Guimarães, derrotando o Marítimo em Alvalade e o Rio Ave em Vila do Conde e reconquistando definitivamente a confiança dos sócios e dos adeptos com uma vitória frente ao SLB em nossa casa, o Sporting volta a entrar na rota do título.

Acredito que isto é possível.
Acredito que no seio da nossa equipa há valor para que estas vitórias ocorram. Tem de haver – obrigatoriamente - brio e competência para podermos somar 12 pontos consecutivamente.

Só assim poderemos recuperar.
Não há outra forma. Não há outra via.

Por muito que custe a muita gente, a grandeza do Sporting reside, em grande parte, num espírito de resistência e de total insubmissão à adversidade.
Não compreender que os nossos rivais conseguiram reunir factores críticos para o sucesso ultrapassa a negação. É alienação. (E se conseguiram... é mérito deles. Lamentar não basta. É preciso fazer Mais e Melhor).
Não entender que o que temos feito é muito pouco e manifestamente insuficiente para termos uma adesão incondicional da nossa base social de apoio é surpreendente.
Não perceber que adversários (ainda que transitoriamente) “em alta” são um teste à solidez das instituições, à validade das políticas seguidas e à fibra dos homens que as implementam e executam é... no mínimo... bizarro.

Quando a performance da nossa equipa é aquela que se vê, urge, como é óbvio, corrigir, rectificar aquilo que pode ser rectificado. Aquilo que não pode ser rectificado, deverá, ainda assim, ser levado em linha de conta, de modo a que determinado tipo de ocorrências ou manifestas infelicidades não voltem a suceder – again and again – no futuro.

Mas, independentemente do que acontece em campo, importa que em Alvalade as cúpulas olhem para os adversários de cima para baixo, ou quanto muito, olhos nos olhos.

É tempo de erradicar a subjugação institucional e a veneração a outros modelos. Basta de complexos de inferioridade. Os outros não nos tomam como referência de nada. Os outros não nos citam. Os outros nem sequer nos consideram rivais na luta pelos títulos em disputa. Por isso, deixemos definitivamente os outros que estão a Norte e a Sul. Andemos de pé e com as costas direitas. Marchemos, como é suposto os Homens marcharem.

O Sporting tem de se afirmar – definitivamente – por si, por si só, como a maior potência desportiva nacional, como o Clube de Portugal que não pactua com os sistemas, que não se verga aos interesses destes e daqueles e que não é uma arma de arremesso que serve para que a Norte se coleccionem títulos como as crianças coleccionam cromos.
O Sporting tem de recuperar o seu ADN de Clube que existe para lutar por causas.
O Sporting tem de recuperar os seus valores.
O Sporting tem de recriar a sua marca e de saber transmitir a sua narrativa.
O Sporting tem de voltar a semear.

Lembram-se quando rezava a lenda de que tínhamos “a melhor massa associativa do Mundo”. E porquê?
Porque tínhamos uma legião de adeptos que preferia quebrar a torcer.
Porque tínhamos um ambiente de total insubmissão - (fosse à FPF, à Liga, à Arbitragem, ao FCP, ao SLB, etc., etc.).
Porque existia “factor-casa”.
Porque Alvalade era a nossa segunda ou primeira casa.
Porque tínhamos referências, sólidas referências, em campo e na condução dos destinos do Clube.

Este Sporting não morreu. Este Sporting não pode ter morrido.
Este Sporting, este Gigante que escreveu a ouro páginas e páginas na História do Desporto está Adormecido e se os outros nada fazem para inverter o rumo da situação, façamos nós.
E porquê?
Porque o Sporting, como um dia disse, e bem, a Juventude Leonina, somos nós.
O Sporting não é um conjunto de funcionários e de profissionais que numa franja de tempo e espaço, pagos a preço de mercado, pagos acima do valor de mercado, pagos abaixo do valor de mercado, serve, ou deverá servir, os superiores interesses do Clube. (O Sporting... também, quiçá infelizmente, pode ser isso, mas não é só isso... não se esgota aí).
O Sporting é uma razão de vida e uma parte inalienável da vida de todos os sócios e adeptos. O Sporting é muito. Sporting é lembrar e recordar mitos. Sporting é poupar na gasolina e andar a pé para haver dinheiro para comprar bilhetes. Sporting é fazer com que crianças sejam sócias e ensinar-lhes que só no Sporting é que há esperança. Sporting é optar, é escolher, é renunciar, e muitas vezes deixar outras pessoas tristes porque Alvalade chama por nós, porque o Sporting precisa de nós.
Mas nos dias que correm, Sporting é também e acima de tudo, saber o que tem de ser feito.

O Sporting Vive, a Lenda Continua

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Em Alvalade, vivem-se tempos de negação

e há muito que se perdeu o sentido de autocrítica.

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Diz-se por aí...

"Tenho-me preocupado bastante nos últimos tempos com a falta de preocupação dos adeptos do Sporting em relação ao Benfica. Como um judeu alemão em 1933, o adepto do Sporting insiste em abanar a cabeça e sorrir, ao mesmo tempo que tenta convencer os pequenos Joshua e Sapphira de que vai correr tudo bem. Continuar a defender publicamente a ideia de que o Benfica é só ímpeto e entusiasmo artificial é neste momento blasfemo. Os noventa minutos do Benfica contra o Borisov, que eu fui ver ali com o Sérgio aqui há umas semanas, antes de tropeçar no João Botelho na Bica - noventa minutos de Benfica a meio-gás e sem três titulares importantes - foram francamente aterrorizantes. Já devia ser evidente para todos que estamos na presença do Mal absoluto.

Não é o facto de não ter havido um único lance de ataque inconsequente até aos 82 minutos. Não é o facto de não se ter visto uma única jogada começar com um passe longo de um dos centrais para o jogging acéfalo de um dos avançados (o gambito Polga-charuto-Djaló que tem sido o plano B do Sporting em todas as ocasiões em que não é o plano A). Não é o facto de jogadores do Benfica fazerem agora passes com força e a meia altura para a linha lateral, sem exibirem qualquer sinal de dúvida sobre a capacidade do colega de equipa para controlar a bola (a única pessoa a fazer isto no Sporting no passado recente foi o Rochemback, por inconsciência). Não é sequer o facto de dois antigos YouTubes de 5 minutos chamados Di Maria e Fábio Coentrão andarem agora por ali a ter aplicação prática constante - uma conversão de fantasia em realidade tão obscena como se duas actrizes pornográficas quisessem de repente casar connosco pela igreja.

O que foi realmente assustador foram as exibições de César Peixoto e Rúben Amorim: dois funcionários competentes, que se tivessem nascido dez anos mais cedo estariam hoje condenados a lugares de destaque em qualquer lista de barretes famosos do Benfica. O César Peixoto e o Rúben Amorim não são melhores do que o Nelo e o Tavares; mas vão andar por ali, vão ser esporádicos titulares "úteis", vão ser frequentes suplentes "eficazes". E depois disto, por duas vezes, o Benfica jogou mal e ganhou, como os Nazis na Batalha de Creta em 1941. Por amor de Deus, eu tenho visto o João Botelho com mais frequência do que vejo a minha mãe: aquilo é um homem sorridente e descansado da vida, porque sabe que pertence a uma raça superior. Ou o Jesualdo will fight them on the beaches ou estamos todos perdidos."

Ler aqui.

Vencer, sem convencer

Ventspils 1 - Sporting 2

Depois de uma primeira meia hora boa, vieram os problemas do costume.

Salvam-se os golos e a confortável pontuação no respectivo grupo.

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Sinais

Ontem, um amigo disse-me: - “Já não choro pelo Sporting e limito-me encolher os ombros quando perdemos. Espero que seja temporário.”

O significado desta frase assume contornos de especial gravidade, principalmente tendo em conta a pessoa que é, um sócio e um adepto que pelo amor que tem ao seu Clube, seria sempre recebido de braços abertos por qualquer outro clube, por qualquer outra massa associativa. Diz-me ainda que como ele, há muitos. Diz-me que vários que conhece não renovaram os seus lugares no Estádio de Alvalade.
Paciência, limites, desinteresse - termos que empregou.

Outros há que não reagem. Dizem-me que desistiram, que estão fartos.

Não se pode desistir. Não podemos desistir do Sporting, não podemos abandonar quem precisará sempre de nós e do nosso apoio.

Acreditem que não sou cego e que também vejo muito do que outros podem e conseguem ver, mas saibamos distinguir a circunstância do cerne.

O Sporting é muito mais do que um momento ou uma fase. O Sporting é muito mais do que isto ou aquilo e especialmente é muito mais do que as pessoas que, num determinado contexto e sempre transitoriamente, estão ao serviço do Sporting.

Reajam, porque o Sporting precisa de vocês – Hoje.

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

4 anos de Paulo Bento

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Inflexão...

[porque o último jogo não merece mais do que o registo de uma vitória...!]

Ao contrário de outras organizações e realidades onde é prática dividir para reinar, no futebol a união dita o envolvimento, o envolvimento condiciona as receitas e as vitórias e estas a capacidade para gerir e/ou adquirir bons activos.

Desde sempre mais do que "o candidato da moda" (ver aqui), porquanto no passado passado prestara provas e no presente de muito abdicava, inicialmente bem mais apaziguador (ler aqui) do que o desgaste do treinador mais tarde lhe induziria, José Eduardo Bettencourt foi eleito por uma ampla expectativa de mudança (obviamente tranquila) e, bem assim, com o discurso (e, esperava-se, a acção) orientado para a vitória.

Mais tarde, de entre uns elogios (?) aos adversários, uma ou outra mordiscadela na honradez e/ou capacidade de que estes se arrogam, José Eduardo Bettencourt começou a baixar as expectativas dos sócios (ler aqui). Fê-lo a uma velocidade não muito diversa da que a equipa usava em campo mas, ainda assim e porque em contraciclo, não o fez - parece-nos - de forma particularmente articulada: conseguiu a aprovação de um plano que nos reestrutura a dívida (da forma possível) e prepara-se agora para, sem prometer grande investimento (e queixando-se da falta de capacidade do Sporting para investir, comparando-o com os rivais), continuar a sua tarefa sem grandes oscilações.

Mas não será também esse o problema que o Sporting evidencia? Não é agora o tempo de atacar o problema de tesouraria que alegadamente vimos registando? Não será esta uma boa altura para atacar a letargia (nos dias bons; nos dias maus, a simples vaia) das bancadas? Não será esta uma boa ocasião para perceber porque tem o Sporting tanta felicidade com os jogadores que forma e bastante menos com os que contrata? Não será esta uma boa ocasião para prometer espectáculo, dar ânimo, vender ambição? Não será esta uma boa oportunidade de mostrar que se é capaz de por ordem na casa?

O que dele queremos ouvir é acção, ambição, soluções, um discurso de vitória. O resto é espuma... Espuma sobre os "brumelhos", azuis, sobre o tempo e a economia real. Sobre o Sporting nada temos ouvido. Queremos ouvir. Queremos perceber. Queremos resolver.

A medidas concretas e projectos ambiciosos não faltará apoio.

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Só uma pergunta...!

Com o plano financeiro tão superficialmente explicado ficou uma dúvida: se o actual nível de endividamento se deve em larga medida, não ao desenvolvimento do projecto imobiliário, mas sim aos nefastos efeitos de sucessivos déficits de tesouraria, agora que já alienámos a componente imobiliária não desportiva e que já fizemos os fluxos intragrupo que podíamos, como projectamos reforçar a nossa competitividade sem tolher a necessidade de aumentar as receitas (para o que é preciso dar espectáculo e/ou resultados) e/ou diminuir as despesas (já de si as mais magras de entre os grandes)?

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

E nesta temporada?

"O impasse vivido até aqui foi-nos prejudicial. Criaram-se condições para trabalhar e prevejo que o reflexo desta aprovação possa começar a ter reflexos no início da próxima temporada."

Ler aqui, em Record.

Reestruturação financeira aprovada

À terceira foi de vez! Em Assembleia-geral, com mais de 1000 sócios presentes, foi ontem aprovada a última condição para a execução do plano de re-estruturação financeira do Sporting Clube de Portugal, ou seja, a passagem da Sporting Comércio e Serviços para a Sporting SAD, por 74% dos votos.

De acordo com o que foi apresentado pelo Presidente do Conselho Directivo, José Eduardo Bettencourt, este plano permite:
  • Anular o passivo do Clube, tornando-o praticamente auto sustentável à custa das receitas das modalidades e da parte das quotizações que lhe são afectas. O "praticamente" advém do facto de as quotizações ainda não serem totalmente suficientes, sendo portanto necessário insistir no alargamento da base social, embora a distância seja muito curta (300K€/ano);
  • Concentração de todos os activos e passivos relacionados com o futebol para a Sporting SAD, reduzindo o passivo da mesma em 55M€, criando um período de carência de amortização de capital de 5 anos e aumentando portanto a capacidade de investimento nesse período.
Alguns aspectos importantes que resultam desta operação, e que foram referidos pelo Presidente:
  1. Desengane-se quem pensa que o aumento da capacidade de investimento se faz sentir no curto prazo. Na melhor das hipóteses, haverá melhores condições de investimento por parte da SAD no início da próxima época;
  2. Mais importante: José Eduardo Bettencourt admitiu, com alguma humildade, que este plano é necessário mas não suficiente. Ou seja, o Sporting tem muitos problemas estruturais por resolver e este é apenas um deles. Espera-o (espera-nos) portanto muito trabalho pela frente para devolver o Sporting ao patamar de grandeza que todos desejamos.
Aproveito para apresentar uma leitura meramente pessoal da forma como decorreu a Assembleia-geral:
  • O Presidente estava estranhamente tenso e algo nervoso, o que até se compreende se pensarmos que foi a sua primeira grande prova de fogo, em ambiente agravado pela má prestação do futebol. O seu desempenho não foi de forma alguma esclarecedor. Evitou mergulhar em aspectos técnicos e, ao fazê-lo, deixou por explicar muita coisa importante. Compreenda-se no entanto que o cargo de Presidente do Sporting implica, neste momento, um fardo pesadíssimo para o qual é preciso um carácter, uma força e uma coragem muito grandes. Bettencourt tem-nas, e só ele sabe o que isso lhe custará por dentro. Não terá sido uma prestação para recordar mas, se era uma prova de fogo, sejamos claros, ele ganhou-a!
  • Para não variar, a Assembleia-geral decorreu em clima de grande crispação, com a polarização do costume e os atropelos, de parte a parte, à liberdade de expressão e de opinião. O tumulto, o insulto, a vaia e a ameaça de agressão física parecem ser infelizmente elementos indispensáveis nas Assembleias-gerais do Sporting. Apenas por delito de opinião.
Considero, com muita pena minha, porque tenho sempre um impulso muito grande de participar e dar a minha opinião, que este formato começa cada vez mais a ser um exercício de pura auto-flagelação, onde a única coisa que se faz de jeito é votar.

Esperemos que, com este capítulo encerrado e o famigerado plano finalmente para trás das costas, se entre numa rota de união que nos permita enfrentar os muitos desafios que temos pela frente, e que até mais ver, estamos a perder.

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Leitura atenta

Uma leitura atenta (porventura tardia) da Ordem de Trabalhos referente à AG que amanhã terá lugar (já se determinou definitivamente onde?) permite-nos intuir que o plano de reestruturação financeira minoritariamente reprovado e cristalinamente explicado nos tempos de Soares Franco vai agora ser submetido a votação, com muito pouco de de explicação prévia ou de chamada de atenção. Prefere-se o estilo do antecessor, porque notoriamente mais transparente... Para quando a disponibilização pública dos documentos? A que título é que o sócio se tem de deslocar ao Centro de Atendimento, nos limitados horários em que este funciona, para aceder a informação de que obviamente necessita para um voto esclarecido, sobretudo pretendendo-se a pacificação (de que a injustificada desconfiança é notoriamente inimiga).

Uma leitura da excelente (e oportuna) peça sobre o entendimento do Dr. Agostinho Abade sobre a matéria supra, hoje publicada no jornal A Bola, permite-nos alcançar que o relatório e contas do clube que amanhã será votado regista um prejuízo de 3,283 milhões de euros devido à participação do clube na SAD (que, note-se, teve prejuízo no exercício transacto). Permite-nos também perceber que o atraso na aprovação do plano nos custa dinheiro. A informação é preciosa – reconhece-se – mas pouco densificada: precisamos de conhecer mais a fundo o que vamos votar.

Uma leitura atenta da densa entrevista de José Eduardo Bettencourt a Record (http://www.record.pt/noticia.aspx?id=b190b5df-d372-4154-9ef7-5b6c94455676&idCanal=00000024-0000-0000-0000-000000000024) diz-nos mais: (i) o Sporting não tenciona aferir responsabilidades sobre a qualidade ou não das gestões pretéritas, o que me parece avisado; (ii) nada se diz sobre a qualidade ou azar da actual gestão, designadamente em função das recentes dispensas em ano de maus resultados na SAD, (iii) a equipa acusa pressão contra os pequenos não obstante apresentar défices de orçamento apenas com os seus concorrentes, isto é, perde títulos a favor dos grandes também por questões de orçamento mas – por pressão - fraqueja contra os pequenos que têm orçamentos significativamente inferiores (dá para perceber?) e (iv) está-se em desacordo com a pretensa belenização do Sporting, empenhado em mudar tal (pretenso ou não) desígnio mas, por ora, nada se explica sobre o trajecto.

Há vida além do plano financeiro? Em que consiste, em toda a sua extensão, o plano financeiro? Será desta que deixamos de ouvir que é vital aprovar o plano A ou B para salvar o Sporting e se resolve verdadeiramente o problema?

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Esta noite jantei com os Misters



Esta noite jantei com os Misters.
Na verdade, esta noite sonhei que estava a jantar no centro do relvado do velhinho e saudoso Estádio de Alvalade e à mesa estavam comigo 7 magníficos: Helenio Herrera, Matt Busby, Ernst Happel, Brian Clough, Rinus Michels, Johan Cruyff e Alex Ferguson.

Contaram-se muitas histórias de sangue, suor e lágrimas, decifraram-se muitos enigmas, recordaram-se golos de antologia e lendas do desporto-rei e todos, sem excepção, riram muito... riram com a satisfação natural de quem sabe que fez o que tinha a fazer, riram com nostalgia e com a certeza dos velhos sábios que sabem que o dever foi cumprido.

Falámos de muitas coisas, mas houve um assunto que mereceu acesa discussão: - “O que é ser Treinador?
E, caríssimos... o que se escuta durante um sonho, tem, para muitos, pouca credibilidade... mas não deixei de registar que Ser Treinador é:

Antes de mais, Ser Líder. É saber conduzir, compreender as especificidades de cada um e aproveitar os méritos de cada elemento, colocando-os ao serviço de um grupo para um fim maior.
Ser Treinador é, racionalmente, pela esperança ou pela fé, fazer com que os seus jogadores acreditem... sempre... que vão vencer.
Ser Treinador é ter uma visão, ter uma ideia, é planear, prever, organizar, gerir... para que em cada desafio se jogue, efectivamente, para vencer.
Ser Treinador é saber introduzir métodos e incutir comportamentos.
Ser Treinador é saber desencadear reacções previsíveis.
Ser Treinador é saber escutar.
Ser Treinador é saber compreender sinais e linguagens.
Ser Treinador é saber interpretar comportamentos e atitudes dos jogadores, é reconhecer códigos.
Ser Treinador é ser Pai para uns, Irmão mais velho para outros.
Ser Treinador é ser Mestre para estes, Chefe para aqueles.
Ser Treinador é fazer os jogadores acreditarem que não há dor, que não há muros que não se derrubem, que não há montanhas que não possam ser escaladas.
Ser Treinador é saber gritar com uns, negociar com outros, ceder com estes, impressionar aqueles, “deixando no ar o mistério”... do que terá sido dito ou feito com cada um.
Ser Treinador é converter um conjunto de jogadores numa família, em que todo e cada um sabe que o outro está lá, e estará lá sempre, para o que der e vier.
Ser Treinador é conseguir erradicar o termo “colegas de equipa” e permitir que os jogadores se vejam uns aos outros como “irmãos de armas”.
Ser Treinador é ter uma só palavra, um só rosto... no balneário, perante os dirigentes, perante os sócios, perante a imprensa.
Ser Treinador é saber matar para não morrer.
Ser Treinador é lidar com a pressão, como um escritor lida com a pena.
Ser Treinador é saber dizer aos seus jogadores que são homens livres e que livremente escolheram representar um Clube que os acolheu e que tem orgulho em tê-los nas suas fileiras.
Ser Treinador é saber dizer aos seus jogadores que a única coisa que verdadeiramente temos nas nossas vidas, é o tempo de que dispomos... e, numa carreira como a de um jogador de futebol profissional, quanto mais se trabalha e quanto menos se erra, melhor é o presente, melhor será o futuro.
Ser Treinador é criar a consciência, em todo e cada um, de que se é um jogador forte, muito forte, rápido, muito rápido, capaz de “fazer a dobra” a qualquer companheiro de equipa, capaz de fazer qualquer tackle, capaz de rematar fora da grande área, capaz de marcar aquele livre com uma barreira a cinco metros que vem na sua direcção, de marcar aquele canto enquanto chovem moedas, de cabecear no meio de postes envoltos em espinhos.
Ser Treinador é criar a ilusão nos flanqueadores e nos avançados que hoje, no derby, ninguém os vai apanhar.
Ser Treinador é saber dizer que se tivermos de jogar contra 14, jogamos contra 14 e vencemos à mesma, porque ninguém nos pode travar.
Ser Treinador é criar homens que não falham perante os seus irmãos de armas e que os defendem sempre no calor do jogo, homens que estão lá.
Ser Treinador é saber transmitir a cada jogador que o produto do seu trabalho diário e honesto dará, caso haja determinação, carácter e uma total insubmissão à adversidade, frutos.
Ser Treinador é saber ensinar e moldar.
Ser Treinador é saber transformar cada jogador, num ser poderoso, obstinado, sedento de vitórias, num... campeão.
Ser Treinador é ter na mão um punhado de sementes e saber lança-las à terra e saber regar, cuidar, para um dia colher.
Ser Treinador é fazer com que cada jogador se sinta, no seu íntimo, único, capaz de executar missões, aparentemente, impossíveis.
Ser Treinador é saber transmitir àquele miúdo vindo dos juniores que não tem que ter medo dos defesas adversários, porque ele não foi convocado por acaso e porque todos aqueles jogadores rivais já foram ultrapassados por centenas de jogadores.
Ser Treinador é saber pedir àquele jogador mais experiente que hoje deixe em campo tudo o que tem, que quando estiver cansado e quando as pernas não corresponderem, que se lembre dos seus filhos e que por eles, corra uma vez mais, uma vez mais... para fazer aquele golo, para fazer aquela assistência, para fazer aquele corte em cima da linha...
Ser Treinador é saber dizer a um jogador que o seu nome pode ficar, para sempre, cravado na memória daqueles milhares que estão lá fora nas bancadas.
Ser Treinador é saber dizer aos “seus Homens” que hoje, caso vençam, os seus nomes ecoarão eterna e infinitamente na memória de um Clube, na memória de um povo, na memória de uma nação.
Ser Treinador é saber, com uma caixa de 11 fósforos, transformar um estádio de futebol num vulcão.

Depois, acordei.

Dar tempo ao tempo……

Muito estranho toda esta confusão interna depois de 4 meses de liderança de JEB, é muito pouco para se avaliar seja o que for. Ainda agora esta equipa começa a sua presidência e já se coloca todo o seu projecto em causa porque a bola não entra…..
É verdade que não jogamos nada. É verdade que não compramos grandes jogadores. É verdade que estamos a 10 pontos do 1º lugar á 7ª jornada. É verdade que algumas declarações de membros dos órgãos sociais não são famosas. È verdade que o nosso Presidente da Mesa da Assembleia Geral se devia demitir de um programa de televisão. É verdade que o nosso Presidente do Conselho Fiscal devia ter mais cuidado com o que diz na comunicação social. Tudo isto é verdade!
Contudo José Eduardo Bettencourt é o nosso 40º presidente da história do Sporting Clube de Portugal e no dia 05-06-2009 venceu as eleições para o Conselho Directivo por maioria absoluta com 90,44%, ou seja, temos um presidente que tem o apoio de praticamente toda a família Sportinguista.
É preciso tempo e condições para colocar a casa em ordem, por isso, mais do que tudo, é preciso aprovar a transmissão para a Sporting Sociedade Desportiva de Futebol, SAD da participação social detida pelo Clube na Sporting Comércio e Serviços, SA..
Sei perfeitamente que numa AG não vai dar para explicar todo este processo financeiro, o que implica e as vantagens que nos traz.
É preciso acreditar em JEB. Esqueçam Paulo Bento, Dias Ferreira, Agostinho Abade e questões laterais que nada têm a ver com este processo e confiem em JEB. Vamos lhe dar ferramentas para ele colocar o clube com menos dependência da banca para podermos trabalhar com mais calma e menos pressão.
É preciso votar a favor! Eu voto!

Saudações Leoninas
Bernardo Foios Simões

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Uma interpretação

As mais recentes declarações de José Eduardo Bettencourt (“JEB”) sobre a criação de um fundo de investimento do SLB deram azo a alguns artigos de opinião, a diverso tipo de interpretações e tiveram ainda direito a uma resposta vinda do outro lado da 2.ª circular, (com a habitual eloquência), desta vez com uma referência a uma surpreendente inversão do ónus da... pescaria.

Efectivamente, o SLB criou um veículo de investimento, de modo a que um conjunto de investidores possa investir em percentagens dos direitos que a Benfica SAD detém ou eventualmente possa vir a deter sobre jogadores de futebol. Na verdade, pretendeu com isto o nosso rival captar investimentos provenientes do mercado e diversificar fontes de financiamento. A gestão do fundo supra referido cabe à ESAF – Espírito Santo Gestão de Activos, S.A.

E a minha leitura, na sequência do que ocorreu, é a seguinte:
JEB, naquela que julga ser a superior defesa dos interesses do Clube, colocou em causa, antes de mais, o tratamento desigual que é dado às sociedades anónimas desportivas que participam nas competições profissionais de futebol, designadamente por instituições financeiras, atacou o frágil, ou quiçá sofismável quadro regulador das competições profissionais e algumas permissões discricionárias que o mesmo confere, questionou a aplicação de critérios de valorimetria e enviou um sinal claro à “Banca”, como tantos e tantos sócios exigiam de há uns tempos a esta parte, como que a dizer: - O Sporting mantém os seus princípios, os seus valores, mas não hesitará em dar um murro na mesa se isso for preciso para defender os seus interesses. Doa a quem doer.
Acresce que JEB não foi oportunista e não atacou o rival quando este “estava em baixa”, como tem sido habitual nos últimos anos. Com efeito, o “ataque” foi consumado numa semana em que as parangonas vermelhas se multiplicaram e se noticia o prémio que Jorge Jesus irá receber quando o SLB vencer a Champions League, para uns, um desígnio natural, para outros, como eu, isto não passa de mais um delirium lampionorum, visto que os jogadores deste clube têm – objectivamente - menos propensão para "correr tanto" quando jogam por esses campos da Europa, como se constatou no jogo frente ao debilitado AEK de Atenas.

Desejo, sinceramente, que quem está à frente do barco se mantenha fiel aos valores dos nossos fundadores, que respeite o espírito Sporting, que compreenda a dimensão política do cargo que ocupa, que esteja ciente que a missão a que se propôs, para ser recordada com dignidade ao longo da História, requererá, muitas vezes, a tomada de decisões difíceis. Espero que JEB seja firme nas opções a tomar e que exija de todos, sem excepção, os níveis de competência e de concretização de objectivos que sei que considera adequados a uma instituição centenária com a grandeza do nosso Sporting.

Haja Coragem!

O Sporting Vive, a Lenda continua.

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Esta escapou-me...

Hoje, no Record, na crónica – “De Leão ao Peito”, o gestor e antigo vice-presidente do Sporting, Silva e Costa, membro da anterior direcção à qual José Eduardo Bettencourt também pertencia, escreve (e passo a citar):

“(...) Constatei com surpresa que a importante reunião da assembleia geral de dia 13, em que se vai pedir autorização para um passo-chave na reestruturação financeira, foi marcada para o auditório do estádio que tem, como sabem, uma capacidade muito limitada. Recordo que a primeira AG sobre este tema foi marcada na antiga FIL (com assento para 1.800 pessoas) e teve de ser interrompida e remarcada para o Pavilhão Atlântico, onde compareceram cerca de 3 mil pessoas. Sinal dos tempos que vivemos, será que os sócios, silenciosos e invisíveis como JEB aprecia, vão desertar a tomada de decisões importantes do clube? A ver vamos...”

terça-feira, 6 de Outubro de 2009

Easy Target - Parte II

Em 26 de Agosto do corrente ano, escrevi:

“Em todo o caso, nos tempos que correm, concentrar esforços na capitulação de Paulo Bento é, a meu ver, para além de lesivo dos superiores interesses do Clube, uma vez mais manifestamente injusto. Bento é apenas um “Easy Target” do Universo Leonino e desta sociedade desorientada que se alimenta de sangue, corra esse sangue nas veias dos culpados ou dos inocentes... As questões não podem, nem devem, ser analisadas superficialmente. Encontrar um bode expiatório, no actual contexto, é amoral (já houve um tempo para a imoralidade...).
Discutam-se as questões de fundo. Raciocine-se sobre as opções estratégicas. Reflicta-se sobre a política desportiva, sobre a missão do futebol do Sporting, sobre os reais objectivos do futebol do Sporting e sobre a capacidade de gerar recursos para a consumação de tais objectivos.
Repensemos e refundemos a Cultura Sporting, a cultura de vencer que tem definitivamente de voltar a ser assimilada por todos. Discuta-se e reforme-se a organização, os modelos e os procedimentos... agora, Paulo Bento? Paulo Bento? Agora?
Já o escrevi, mas volto a frisar - Bento é um homem de carácter, de personalidade forte, leal, que tem dado tudo o que sabe e pode ao Sporting.

Até ao final da época passada, termo do seu anterior contrato com o Sporting e no qual se fechou um ciclo, como Bento declarou por diversas vezes, o nosso treinador terá conseguido aquilo que poucos conseguiriam, mas foi por ter conseguido o que conseguiu (e como conseguiu), foi por termos uma gestão que se inspira e se estrutura em valores e nas qualidades humanas de cada um, que lhe terá sido endereçado convite para renovar contrato, sendo certo que, apesar dos méritos indiscutíveis dos seus feitos, Bento não conseguiu ainda ser campeão nacional - objectivo tradicional de um Histórico como o Sporting e que todas as épocas é salutarmente desejado pelos seus sócios e adeptos.”


Na verdade, e para quem anda distraído, importa recordar que Paulo Bento é só e apenas um funcionário, um interveniente, mais um interveniente que, devidamente supervisionado e enquadrado - como é de esperar em qualquer organização - executa, implementa uma política desportiva legitimada e sufragada em urna há poucos meses.

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Até quando?

Até quando é que o Paulo Bento vai continuar a ser treinador do Sporting? Até quando?

O momento actual do Futebol do Sporting é surreal.

Resta-me reproduzir as palavras do Liedson após o jogo de ontem:

"AS COISAS NÃO PODEM CONTINUAR COMO ESTÃO"

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal

Nos termos do disposto nos artigos 51 alínea b), 34 nº 4 dos Estatutos, foi convocada uma Assembleia Geral comum do SCP para reunir no dia 13 de Outubro de 2009. Nesta ordem de trabalhos está para discussão ( um ponto que eu anteriormente apoiei e irei votar a favor ) a transmissão para a Sporting Sociedade Desportiva de Futebol, SAD da participação social detida pelo Clube na Sporting Comércio e Serviços, SA..
Noutras Assembleias convocadas para discutir este importante tema sempre houve a preocupação em escolher devidamente as datas e locais onde se pudessem na realidade fazer estas reuniões. Assim, regra geral, tem sido escolhido o Pavilhão Atlântico e o dia de sexta-feira. Não compreendo então o motivo pelo qual o nosso Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal marcou esta reunião para terça-feira, dia 13 de Outubro, e no Auditório do Estádio José de Alvalade, contrariando as boas experiências que tivemos em Assembleias anteriores como no caso do Pavilhão Atlântico. Desta feita não me parece que uma reunião desta importância e afluência aguardada se deva realizar no nosso Auditório, visto a sua capacidade ser muito limitada.
Solicito respeitosamente ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral que se possível, reveja este local, pois arriscamo-nos a ter que efectuar mais tarde uma outra Assembleia noutro local com maior capacidade, causando transtornos que podem ser evitados desde já, nomeadamente no atraso da aprovação e discussão de um ponto tão sensível e importante para o nosso Sporting Clube de Portugal.

Saudações Leoninas
Bernardo Foios Simões

Copo meio cheio


Na sequência do jogo de ontem, e porque tenho a certeza de que, no actual contexto, nas actuais circunstâncias, de nada vale olhar para o vazio, quero ver... um copo meio cheio...

Por isso, tenho de pensar que:

(i) Vencemos um jogo em casa nas competições europeias frente a uma equipa alemã;
(ii) Lideramos tranquilamente o nosso Grupo na Liga Europa;
(iii) Adrien Silva, um jogador que admiramos e em que todos depositamos grandes esperanças, marcou um golo que esperamos que sirva para lhe dar mais alento, mais motivação, para se poder afirmar, definitivamente, como um valor seguro do futebol português.

Saudações Leoninas