domingo, 28 de Fevereiro de 2010
Por onde andava este Sporting?
No meio de uma época tão sofrida, esta semana calhou muito bem.
sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010
A vantagem de se jogar bem...e ganhar
Recebi com muito agrado (e sentido de responsabilidade) o convite para passar a partilhar de forma mais permanente a minha opinião sobre uma das minhas (nossas) maiores paixões, o SPORTING. Ao aceitar este desafio procurei esperar até ao momento certo para escrever o meu primeiro post de forma a que o mesmo não tivesse que ser negativo (sim, porque o de ontem tratou-se de um mero pedido ao estilo “I have a feeling”). A equipa ontem encontrou-se e proporcionou-nos uma noite à antiga...e hoje cá estou eu...
Tal como referido no primeiro parágrafo, o jogo de ontem não pode causar aquela falsa sensação de que “vai ficar tudo bem”, porque sem as necessárias reformas e um efectivo acréscimo de competência (nas várias áreas) vão tornar momentos como os de ontem como meros oásis na nossa travessia pelo deserto.
O jogo de ontem deve ser analisado de forma a que de uma vez por todas se perceba a vantagem de jogar bem...e ganhar, se não vejamos (a ordem de enumeração é arbitrária):
i) Marcar Sporting – Ontem mostrámos que conseguimos valorizar um pouco a nossa marca, não só internamente (veja-se as capas dos jornais de hoje), mas sobretudo internacionalmente. Quem tem acompanhado a Liga Inglesa e a comunicação social britânica sabe que durante esta semana se falava dum Everton em grande forma, que ganhou ao Chelsea e M.U., que está na luta pelo 4.º lugar e que é a equipa mais em forma do momento e dum Sporting decadente que estava a fazer uma época decepcionante. Pois bem, 95 minutos depois são obrigados a admitir que mesmo um Sporting decadente chegou, e bem, para eliminar a equipa sensação da Liga Inglesa. A meio do jogo um redactor do THE GUARDIAN escrevia no site do jornal que o Djaló com 23 anos parecia que tinha 12...mas 10 minutos mais tarde teve que admitir que o Phill Neville teve que ir procurar os rins no relvado...Para a história (e para os ingleses) fica o facto de continuarmos a eliminar os bifes com (alguma) facilidade...
ii) Tesouraria – Para além do prémio monetário inerente à vitória e consequente passagem aos oitavos de final, o jogo com o Atlético vai, certamente, possibilitar uma das melhores assistência da época (talvez a última grande assistência da época), o que vai trazer claros benefícios financeiros (por favor não coloquem o preço dos bilhetes em P1...);
iii) Adeptos – Todos concordamos que hoje acordámos muito mais bem dispostos, com a auto-estima um pouco mais em cima e (finalmente) com vontade de ler os jornais e falar de futebol no trabalho ou na faculdade...Se calhar muitos de nós já pensa em ir a Alvalade no próximo Domingo (sobre isso escreverei mais tarde)...
iv) Valorização de Jogadores – A estratégia mais falada para a próxima época é a de vender grande parte do plantel e com o dinheiro dessas vendas reconstruí-lo com aquisições criteriosas e que sejam mais valias. Pois bem, para além do facto de ontem termos voltado a mostrar à Europa (em especial ao Reino Unido) que colectivamente jogamos alguma coisa à bola, individualmente o jogo de ontem mostrou um Moutinho com alma de capitão, começando a dez e acabando a trinco sempre com raça e decernimento no ataque, um izmailov que não vale 7M € (a segunda melhor notícia da noite a sua “não venda”), um Djaló que com “12” anos partiu a loiça, um Veloso que com mais um golo mostra que pode ser importante em várias posições, um carriço seguro e autoritário e um Patrício com tarimba de guarda-redes grande, pois toca 3 vezes na bola para duas saídas seguras a cruzamentos e uma defesa fantástica que evita o 1-1 (e aí a história seria completamente diferente...). Para além do exposto vamos ter a oportunidade de voltar a mostrar estas (e espera-se outras) qualidades e atributos na próxima eliminatória com o Atlético de Madrid, jogo amplamente difundido no apetecível mercado Espanhol.
Salvámos a época? Não...Vamos ganhar a Liga Europa? Em princípio não...Vamos eliminar o Atlético de Madrid? Temos boas hipóteses se estivermos a este nível...Vamos assobiar o Simulão até aquelas orelhas de duende queimarem? CERTAMENTE...Vamos saber quem é o pai da Mariana? Eu desconfio...mas não vos digo porque SÓ EU SEI...QUEM É O PAI DA MARIANA!
Saudações Leoninas
quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010
O Toque de Midas
Para já, e tomado na boa disposição que este resultado (finalmente!) nos deixou tenho de lhe atribuír um verdadeiro "Toque de Midas" pois no exacto momento em que entra em funções brinda formalmente toda a nação leonina com não só uma grande vitória europeia como também uma exibição convincente e um paliativo importante quando nos aproximamos do final de uma longa e sofrida época. Analizando os números devo aliás referir que já devia ter chegado mais cedo, tendo em conta a diferença dos "toques" em questão: Sá Pinto passou por Alvalade com a velocidade de uma estrela cadente, amealhando no entanto sete vitórias. Costinha entra agora de forma feliz, rendendo o inesquecível mas historicamente pedagógico "toque" de Salema Garção, com 7 jogos sem vencer.
O senhor que se segue é... Costinha!
A Sangria

Gosto do jogador Izmailov. Não acreditando que o russo venha a assumir no futuro um lugar no "clube" dos melhores jogadores da actualidade, algo que estaria, em meu entender, ao seu alcance caso não partilhasse de aparentes limitações de leitura de jogo e capacidade para tomar a melhor decisão em cada momento presentes noutros jogadores de evidente potencial técnico e físico (por exemplo Hulk, cujo potencial é definitivamente cerceado por uma evidente falta de inteligência em campo), considero no entanto Izmailov um dos principais activos do plantel actual do Sporting e o centro campista com maior capacidade para criar rupturas e desequilíbrios fundamentais a uma equipa que deveria jogar sempre para vencer. Izmailov apresenta ainda outra característica distintiva nos dias que correm, em Alvalade: é talvez o único exemplo de um jogador que evoluiu positivamente desde a sua entrada no plantel, pese o contexto negativo que tem caracterizado o futebol leonino nos últimos anos.
Posto isto questiono-me, como tantos outros Leões, sobre as razões que levam o Sporting a sentar-se à mesa com clubes interessados, disposto a negociar Izmailov, nesta fase da época, pelos valores referidos conforme comunicado à CMVM. Surgem-me dúvidas naturais, para as quais não encontro resposta e que decido agora partilhar convosco:
1) Quererá efectivamente o Sporting negociar o jogador nesta altura da época conforme referido inúmeras vezes na imprensa? Como se explica esta decisão após o recente investimento significativo, ainda que discutível, no plantel e época em curso?
2) Identificando em Izmailov as características referidas na minha introdução podemos considerar a venda do jovem jogador russo uma boa decisão de gestão?
3) Tendo em conta a informação publicada quererá Izmailov efectivamente sair ou estará a ser acompanhado à porta de saída?
4) Qual a origem das verbas que permitiram ao Sporting reforçar-se em Janeiro com João Pereira e Pongolle?
5) Terá vindo esse dinheiro, como surgiu referido em alguma imprensa, da Portugal Telecom, num modelo de antecipação de receita de patrocínios futuros?
6) Será que parte ou mesmo a totalidade dessa verba chegou ou chegará efectivamente aos cofres leoninos quando, no mesmo momento em que tal era suposto suceder o administrador encarregue do tema (Rui Pedro Soares) abandonou a administração da Portugal Telecom na sequência dos último casos que o envolveram?
7) Com a saída de Rui Pedro Soares quem é neste momento o pivot da Portugal Telecom na relação com os 3 grandes e qual será o seu ponto de vista acerca deste eventual negócio, caso este se tenha verificado?
8) Posto isto qual o racional de gestão que subjaz à abertura da possibilidade de venda de um jogador como Izmailov por valores semelhantes aos despendidos na aquisição de um arriscado reforço como Pongolle?
Não conheço respostas a qualquer destas perguntas, até porque o Presidente do Sporting Clube de Portugal não explicou, até agora, a proveniência das verbas que permitiram o investimento tardio efectuado no plantel. Aguardo, no curto prazo, que os próximos capítulos desta história nos permitam tirar conclusões e, no médio/longo prazo, que um dia se faça luz sobre a forma como o futebol leonino foi gerido na última década, nomeadamente através de uma auditoria externa e independente, cuja utilidade me parece assentar cada vez mais não na radiografia das contas do grupo mas sim na avaliação das decisões de gestão leonina da última década.
quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010
Efeito Villas-Boas?
Por outro lado, podemos igualmente ler que "O Correio da Manhã sabe que o técnico leonino já assumiu junto de alguns jogadores que o destino das partes conhecerá rumos distintos agora ou no final da temporada." (ler aqui).
No meio de tanta "desgraça", e enquanto Bettencourt se queixa amargamente sobre a interpretação que é feita das suas palavras ou discorre sobre o que se vai lendo e ouvindo acerca do seu profissionalismo, publica hoje o Record, na página 16, que "João Moutinho quis saber se o interesse do Zenit é real. Para isso, contactou Danny, ex-jogador do Sporting...".
Pergunto-me: e, no meio disto tudo, onde fica o interesse do Sporting?
É a Economia estúpido!
Este quadro de resultados não ocorre isolado. Acontece num contexto de grande pressão sobre a actual gestão, mas acima de tudo, acontece num quadro em que o futebol espectáculo foi arredado (eu diria mesmo, exterminado) de Alvalade, pelo menos desde 2005. Quem não se lembra de uma célebre frase de um treinador recente: “Quem quiser espectáculo, que vá ao cinema!”.
Tudo se tem conjugado para que, por circunstâncias naturais relacionadas com a pobreza do espectáculo oferecido, aliadas à mediocridade dos resultados desportivos, ocorra um claro afastamento dos adeptos Leoninos dos jogos em sua casa.
Causa assim grande perplexidade e indignação a análise dos preços praticados para o próximo jogo com o Everton. Para se ter um pequeno exemplo, um sócio detentor de Gamebox e Lugar de Leão numa central da bancada inferior, terá de desembolsar a módica quantia de 25€.
Recordemos a situação incompreensível que ocorreu na última eliminatória da Taça da Liga, onde numa atitude típica de Clube pequeno, se tornaram caros os preços desse jogo porque se sabia que o adversário iria trazer muitos adeptos a Alvalade (falou-se até em 30% da lotação). A consequência desta política comercial desastrosa foi fácil de entender: fez-se uma óptima receita à conta do Clube adversário, e afastaram-se os Sportinguistas do estádio. O resultado é bem conhecido. O adversário estava em maioria, e gozou o jogo como se estivesse em sua casa.
Assim, partindo do princípio plausível de que os responsáveis pela política comercial do Sporting possuem formação em Economia, optamos por relembrar alguns conceitos fundamentais de Teoria Económica, para tentar demonstrar o tremendo equívoco que esta política representa. Para que todos entendam o que pretendemos dizer, optamos por recorrer ao auxílio de um “desenho”. Chama-se “as Curvas da Procura e da Oferta”.
No gráfico de cima, a curva a Azul representa a oferta, neste caso a oferta de bilhetes colocada à venda pelo Sporting. Na lógica do Clube, quanto maior for o preço, maior é a quantidade que ele pretende vender. A curva a Verde representa a procura, ou seja, aquilo que os adeptos estão dispostos a pagar. Na lógica do adepto, quanto maior for a quantidade comprada mais se espera que o valor unitário seja baixo. Esta curva explica todos os fenómenos da Procura e da Oferta em Economia, e foi popularizada por um dos maiores economistas de todos os tempos, Alfred Marshall (1842-1924), também conhecida por isso como “cruz marshalliana”.Em todas as curvas da Procura e Oferta existe um ponto de equilíbrio. Trata-se do ponto em que as duas curvas se cruzam, e que representa a quantidade certa ao preço certo para ambos o vendedor e o comprador, e onde toda a gente fica satisfeita. No gráfico de cima, trata-se do ponto 2.
No Sporting, parece que o ponto de equilíbrio NUNCA é procurado.
Esqueçamos assim o ponto 2, cuja utilidade parece ser nenhuma neste Clube, e olhemos para a situação do jogo com o Everton. O Sporting quer praticar o preço P1, esperando assim vender a quantidade Q3 e encaixar a respectiva receita. Trata-se do ponto 3 no gráfico.
O problema é que, ao preço P1, os adeptos só querem comprar a quantidade Q1, ou seja, serão vendidos menos bilhetes, a receita é por isso inferior e o estádio fica mais vazio. Trata-se do ponto 1 no gráfico.
A linha vermelha representa aquilo que em Economia se chama “Custo de Oportunidade”, ou seja, o número de lugares que vai ficar deserto.
É por isto que a política comercial do Sporting é um desastre. Não procura os pontos de equilíbrio entre a oferta e a procura. Numa tentativa desesperada de maximizar a receita, ignoram-se os desejos dos compradores (os adeptos) e tem-se como resultado o estádio mais vazio, e portanto, uma receita inferior.
Parece-vos confuso?
Então vou explicar de forma mais simples. É EXCTAMENTE a mesma coisa vender 10 bilhetes a 20 euros do que vender 20 bilhetes a 10 euros. A receita é EXCTAMENTE a mesma. A grande diferença é que, na segunda hipótese, há o dobro de adeptos no estádio e o retorno desportivo, em termos de apoio e ambiente, é muito maior.
Parece simples não é? É a Economia estúpido!
Organizações de excelência produzem resultados de excelência. Organizações medíocres produzem resultados medíocres.
P.S: E porque não inverter esta situação com uma jogada inteligente no próximo jogo com o FC Porto? Uma vez que as Gameboxes estão pagas há muito e a receita já encaixada, porque não fazer o preço dos bilhetes para sócios sem Gamebox totalmente grátis? Talvez assim se conseguisse evitar apenas mais um enxovalhamento.
terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010
Disorder
Could these sensations make me feel the pleasures of a normal man.
These sensations barely interest me for another day.
I've got the spirit, lose the feeling, take the shock away.
It's getting faster, moving faster now, it's getting out of hand.
On the tenth floor, down the backstairs, into no man's land.
Lights are flashing, cars are crashing, getting frequent now.
I've got the spirit, lose the feeling, let it out somehow.
What means to you, what means to me, and we will meet again.
I'm watching you, I'm watching her, I'll take no pity from you friends.
Who is right, who can tell and who gives a damn right now.
Until the spirit new sensation takes hold, then you know.
I've got the spirit, but lose the feeling.
Feeling".
Disorder, Joy Division
O caos, a desordem e o desgoverno dão azo, muitas vezes, a que se procure ou que se aguarde a chegada de um Messias.
Nada mais errado.
Além do mais, nenhum Messias, nenhum Guia, nenhum Líder chegará se não existir uma vontade férrea de mudança e de pacificação interna, se não for perceptível um sentimento colectivo de inconformismo, se a insubmissão não for só e apenas a causa lógica dum desejo de harmonia, se não for o móbil da REFUNDAÇÃO pela qual todos ansiamos.
"pequenas" mudanças...
Tudo acções que são necessárias tomar mas que exigem planeamento, tempo, dinheiro.
Será que a direcção não poderia já (curto-prazo), tentar inverter as coisas com acções simples de custo reduzido…
- Organização dos jogos:
1-Modificar o túnel de entrada em campo. É um sitio chave para os nossos adversários começarem a ter “medo” de nós, como tal, terá obrigatoriamente de ter espelhada a nossa grandiosa historia com fotos a cobrir as paredes e não com os míseros a4 com o nosso palmarés.
2-Claques juntas num topo. O velhinho Alvalade já foi um inferno o novo também terá que ser. O superior interesse do Sporting assim obriga!
3-De uma vez por todas, fazer dos intervalos entre os jogos, tempo útil…. Será assim tão difícil copiar o que de bom é feito por essa Europa
4- A música que passa no início do jogo tem que ser rock a serio!!! Brasileiradas, espanholadas, raps e afins são dispensável…os nossos adversários têm que ter respeito e medo de nós, por isso guardem a musiquinha dançável para o fim do jogo.
- Nenhum jogador "responde" ao árbitro, nem contesta as suas decisões (sob pena de levar um corte valente no ordenado, nunca menos de 10%), é incrível a quantidade de amarelos que vemos por situações destas.
- O director de comunicação tem que orientar SEMPRE os jogadores sobre o que têm que dizer nas entrevistas.
- Capitão tem q ter “poder” em campo, não pode ser um anão.. tem que demonstrar “força”, tem que ter atitude, tem que ser uma voz de comando!!…é a cara da equipa!
- Chamar para a estrutura do Sporting antigos jogadores que foram campeões no Sporting! E que obviamente sintam o clube! Acho que não faz muito sentido termos lá ex-jogadores que não sabem o que é ganhar com o Leão ao peito.
- Implementação de verdadeira politica remuneração por objectivos. Se os jogadores não sentem a camisola, sentem a carteira ao fim do mês! Assim jogariam sempre motivados!
- Valorizar os miúdos da formação, se jogam na equipa principal têm q receber como tal, acho bem que se poupe dinheiro mas com os jogadores que vêm de fora, os nossos se forem bons e se tiverem valor para jogar têm que receber bem, só assim deixarão de ver a chegada à equipa principal como um meio para chegar ao estrangeiro no imediato.
- Formação táctica da equipa terá que aproveitar valores vindos da formação (no limite, mesmo sistema táctico, na formação e nos seniores).
-Treinador, treina, director, dirige e jogador, joga, terá que existir de uma vez por todas segregação de funções, não podemos estar reféns de ninguém!!
- Se cada vez mais, as receitas de merchadising são necessárias para a tesouraria apostar numa marca que nos traga retorno, os modelos da Puma têm sido miseráveis.
SL
segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010
Gasto vs Investimento; Accionistas vs Administração
A boa ou má gestão de uma qualquer organização passa – aqui desconsiderando variáveis de mercado - pela forma como consegue investir, mais do que gastar os recursos económicos. É (também) o investimento que dita a capacidade de inovação, a eficiência de meios de produção, a qualidade dos processos dessa mesma organização, etc.
Hoje olho para o Sporting e, sem prejuízo do elevado grau de desmotivação que se intui dentro de campo, eventualmente também fora de campo, não vislumbro um equilíbrio entre o preço e o valor que me permita intuir que investimos com propriedade ou que contratamos com siso (e, nesta perspectiva, não nos reportamos unicamente a jogadores e/ou treinadores de futebol). E porque limitarmo-nos a aceitar propostas seria cómodo mas nem sempre (quase nunca, para ser mais rigoroso) bom negócio, porque pagar cláusulas de rescisão usualmente definidas “em alta” (e como factor dissuasor da contratação) também não resulta benéfico como modelo de contratação, perguntamo-nos que caminho é este que hoje levamos.
Sabemos hoje que o Sporting foi dos que mais gastou na Europa mas, pergunto, teremos sido dos que mais investiu?
Para tanto teríamos de conhecer o critério qualitativo determinado pelas “compras” efectuadas, as falhas cuja supressão foi então e agora definida como prioritária, os critérios técnicos foram prosseguidos, os objectivos e processos negociais estabelecidos, a senioridade dos negociadores e grau de envolvimento negociação da administração na negociação. Teríamos de saber quem seleccionou, quem decidiu, os critérios de procura, selecção e decisão, teríamos estar certos da inexistência de eventuais conflitos de interesses de quem por nós actua no mercado (designadamente em função da variabilidade da remuneração auferida, seja a que título for).
Mais do que um reflexo de transparência na abordagem ao mercado, tal conduta permitiria igualmente intuir a qualidade da actividade de gestão hoje tão rendilhada e, aqui em termos qualitativos, aparentemente opaca.
més que un club
A dimensão política e a responsabilidade social desta instituição, ao longo de décadas, tem contribuído, em grande medida, para a grandeza e prestígio deste colosso europeu.
Do Sporting Clube de Portugal, por vários motivos, designadamente pelos valores dos seus fundadores, pela cultura que durante muito tempo se defendeu e praticou, por dever ser uma referência do Desporto e para a nossa sociedade, espera-se uma postura de inequívoca responsabilidade social.
Com efeito, depois da tragédia que se verificou na Madeira, em que dezenas de portugueses perderam as suas vidas, em que centenas perderam as suas casas e tendo muita da paisagem desta nossa ilha sido arrasada, o Sporting Clube de Portugal deveria, atempadamente e não reactivamente, manifestar solidariedade para com as vítimas.
Portugal, por mais que se minta e maquilhe a realidade, é um país pobre e endividado e aqueles que têm capacidade ou possibilidade de “fazer alguma coisa”, têm o dever de se mobilizarem em situações dramáticas como esta.
O FC Porto vai disputar um jogo de apoio ao povo da Madeira defrontando uma selecção mista de jogadores do Marítimo e do Nacional, reforçada com Cristiano Ronaldo, que já garantiu a disponibilidade para participar.
Por seu turno, o presidente do Benfica declarou nos Estados Unidos da América, horas depois da catástrofe, que, possivelmente através da Fundação do clube, vai ajudar as vítimas do temporal.
Toda a imprensa deu eco a estas vontades, a este posicionamento.
No que diz respeito ao Sporting Clube de Portugal, uma instituição que necessita de rever urgentemente o conceito de "dignidade", optou-se por depois do embate com o Olhanense, através do actual director interino para o Futebol, lamentar a tragédia que assolou o povo madeirense. Em notícia publicada ontem no website do Clube, referia-se também que José Eduardo Bettencourt deu instruções às relações públicas do Clube para manifestar, junto do Governo Regional da Madeira e também dos elementos que integram o Núcleo Sportinguista daquela região, total apoio e disponibilidade do Sporting para ajudar as vítimas desta tragédia.
domingo, 21 de Fevereiro de 2010
sábado, 20 de Fevereiro de 2010
Organizações de excelência produzem resultados excelentes
Ah! Já me esquecia. Quanto ao jogo: atitude, entrega, azar, chuva, fresquinho, constipações, gripes, assuntos pessoais, árbitro, um indivíduo que estava na "marquise" do 4.º Esq. do prédio que fica por trás de um dos topos e que gritava de forma particularmente irritante (e o que isso maça e distrai!) e tal e coiso...
Há que levantar a cabeça e continuar a trabalhar... para segurar o 4º.
sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010
Sanear, Regenerar, Refundar?
Esta época assistimos ao abandono de alguns que se insurgiam (ou permitiam a insurrecção) dos assalariados contra os Sportinguistas (curiosa , inversão do padrão capitalista), à saída de outros há muito vistos como messiânicas garantias de conhecimento e sucesso, a ascenções e quedas várias, nem todas óbvias ou facilmente explicáveis. Sobretudo, assistimos à continuação da linha autodepreciativa que há muito por aqui criticamos.
Que esperar da próxima época?
Tudo depende da seriedade com que José Eduardo Bettencourt encarar a sua própria prestação (ainda longe de ser positiva) ou a qualidade e suficiência da sua equipa (até agora excessivamente obnubilada pela sua putativa liderança). Em todos os processos, as saídas (como as demais formas de reestruturar uma qualquer organização) podem servir para encontrar bodes expiatórios (com alterações artificiais, sem substracto que não formal), para melhorar processos e produzir melhores resultados ou, como se pretende, para alterar a cultura política a que temos assistido nos últimos anos. Sanear o clube seria autofágico. Regenerar o Clube seria um bom princípio. Refundar o Clube é a única garantia de sucesso.
Como fazê-lo? Com quem fazê-lo?
Enquanto alguns permitiram que os que acima referimos fossem crucificados na praça pública, enquanto a teia de silêncios cuidadosamente urdida ao longo dos anos deixa outros desamparados em pleno exercício de funções, não podemos deixar de nos perguntar quem conhece ou deveria conhecer os factos que justificaram o insucesso. Não podemos esquecer quem escolheu, coordenou ou em todo o caso se absteve – mesmo se por confiar – de o fazer. Não podemos deixar de pensar como pouco plausível a atribuição do erro a actores individuais, mais do que a equipas pouco eficazes. Não podemos deixar de considerar que a estrutura de decisão e actuação do Sporting Clube de Portugal (e respectiva SAD) é ou deve ser colegial.
A actuação de José Eduardo Bettencourt dirá agora muito sobre o Futuro que deseja para o Sporting: quererá ele mudar por dentro o que outros, por fora e sem estrutura alternativa suficientemente credível, quiseram destruir? A uniformidade do fundamental de diagnóstico , o caracter óbvio e casuístico das soluções encontradas soluções encontradas determinam a reserva do prognóstico. Isto, claro, se a solução não vier de fora. E poderá vir de fora, permanecendo discreta, serena, desinteressada e descomprometida.. Permanecendo exterior, como sempre se pretendeu.
Porque o Sporting vive, a Lenda continua.
quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010
2010/2011
Face às recentes eliminações na Taça da Liga e na Taça de Portugal e tendo em conta a impossibilidade de sucesso nas competições em que ainda estamos envolvidos, urge preparar - com todo o rigor, com competência, com zelo e máximo empenho - a próxima época.
Há quem pense que na eventualidade da obtenção do 4.º lugar no campeonato que Carvalhal, tendo atingido o objectivo que foi recentemente redefinido pelo Presidente do Sporting Clube de Portugal, se mantém como treinador. Não creio. Carvalhal já chegou ao fim da curta linha que lhe traçaram.
Não sei quantas mais semanas irá Carvalhal permanecer em Alvalade.
Em todo o caso, julgo que, entre outros motivos que não vale a pena especificar, na sequência (i) das mais recentes declarações presidenciais sobre Paulo Bento: “Se o Paulo Bento cá estivesse, faríamos uma grande dupla, porque seríamos dois a dar o corpo às balas", (ii) da eventual saída de Izmailov - um jogador que Carlos Carvalhal sempre admirou e que não se cansa de elogiar, (iii) de uma performance desportiva que não encantou e (iv) da duração do contrato firmado, Carvalhal já não conta para José Eduardo Bettencourt e, como tal, não será o treinador na próxima época, em que não há margem de erro, em que não se pode falhar.
quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010
MARCA SPORTING

No diagnóstico apresentado no artigo – ESTADO DA NAÇÃO LEONINA – (Cf. www.centurialeonina.com) voltámos, uma vez mais, a abordar, entre outros, este tema.
Com efeito, entendemos que a Marca Sporting não tem sido, ao longo dos últimos tempos (e é difícil precisar, em rigor, desde quando) estimada, defendida, pensada, com a diligência que se impunha.
A título meramente exemplificativo, lapsos inexplicáveis e algumas declarações infelizes que nesta década foram prestadas por representantes do Sporting Clube de Portugal (atletas, dirigentes, comentadores, associados) têm contribuído, a par de alguns resultados desportivos traumáticos, para a degradação do valor da Marca Sporting. Diz-se que isso se deve à ausência de qualquer estratégia de longo prazo, plenamente assumida e interiorizada por quem deve pensar e governar o nosso Clube. Talvez.
Em todo o caso, não é de hoje a carência de pensamento estratégico no Clube. A navegação à vista e a boa vontade de quem tem navegado e conduzido a nau não têm sido suficientes ou adequadas ao estatuto do Sporting Clube de Portugal e às naturais ambições dos seus associados. Porém, deve-se assinalar que quem tanto, e de forma genuína, deu de si, a mais não era obrigado...
Mas, pela situação em que nos encontramos e em razão dos perigos que enfrentamos à data, voltamos a reclamar pensamento estratégico. É vital que haja perfeita consciência sobre a dimensão do Sporting Clube de Portugal e que, de uma vez por todas, se compreenda que a Marca Sporting é um activo intangível, é um bem incorpóreo do Clube que pode gerar benefícios económicos futuros, em consequência de eventos, vitórias e glórias do passado.
O valor do nosso nome e da nossa reputação enquanto Clube é decisivo na relação com potenciais adeptos e associados, com os nossos patrocinadores, com investidores e até com os nossos adversários no quadro das competições em que participamos.
A Marca Sporting é e tem de ser um sinal distintivo que a diferencie dos outros clubes e é constituída não só pelos nossos símbolos, não só pelas representações gráficas a verde e branco, não só por nomes de atletas, não só por números de títulos, mas sim, por muito mais do que isso. A Marca Sporting representa e tem de representar mais do que o excesso do valor de todos os seus activos combinados, tem de ser muito mais do que a soma de todos os seus valores individuais.
Pelo exposto, é fundamental haver prudência, cuidado, ponderação, com o que se diz, como se diz e perante quem se diz. A identidade, a comunicação e a imagem do nosso Clube é matéria muito sensível.
É de evitar tecer considerações sobre os méritos dos modelos e das opções de outros, principalmente se esses clubes disputam o mesmo mercado, os mesmos títulos e têm os mesmos objectivos que nós temos.
As alusões desprovidas de qualquer valor acrescentado para o Clube devem ser erradicadas do discurso oficial, se é que existe discurso oficial...
A postura institucional de quem pertence aos órgãos sociais do Clube, o sentido de Estado que deve existir da parte de quem pertence a esses mesmos órgãos tem de ser, a todos os níveis, absolutamente inatacável.
Por isso, não é admissível, entre outras coisas lamentáveis, assistir a trocas de galhardetes, em público, entre eleitos, entre as mais altas figuras do Clube.
Ensinaram-me que uma marca é uma Promessa Cumprida e é esse o desafio que se coloca hoje a quem governa o Sporting. O Clube tem de voltar a ser uma Promessa Cumprida.
Quando um comum mortal vir o símbolo do Sporting Clube de Portugal, quando visualizar o Leão Rampante e escutar a palavra - SPORTING - tem de sentir o peso de mais de um século de história, de tradições, de glória, de conquistas épicas, e de ficar esmagado. Todos têm de perceber inequivocamente que no Sporting, foi com esforço, dedicação, devoção e glória que se construiu uma Lenda do Desporto e que se ergueu, sem favores de ninguém, a maior potência desportiva nacional.
Quando alguém escutar a palavra - SPORTING - tem de a associar, espontaneamente, naturalmente, a "vitória”, “triunfos”, “campeões”, "força", "determinação", “desporto”, “sangue, suor e lágrimas”, “entrega”, “verdade desportiva”, “ética”, “Grande Clube”, “excelência”, "ambiente mítico", "apoio incondicional", etc.
Quando algum associado ou adepto for ao Estádio de Alvalade tem de sentir vontade de lá regressar com familiares e amigos... e quem não for, tem de sentir saudades da casa de todos nós.
Esta Promessa Cumprida, esta sensação de que podemos – indubitavelmente – contar com algo de bom, com coisas positivas, quando escutamos a palavra SPORTING, tem de ser renovada. Hoje, não há maior desafio para quem está à frente do Sporting Clube de Portugal do que este. É fundamental renovar esta promessa e fazer com que todos sintam que ela se cumpre, que ela está cumprida.
O Sporting Clube de Portugal é um referencial de valores, é uma escola de campeões e é isso que todo e cada um tem de sentir quando tiver nas suas mãos uma camisola Stromp.
Mas a responsabilidade pela preservação da Marca Sporting é de todos. O exemplo, como em tudo na vida, deve vir de cima, contudo, somos nós aqueles que, em primeira instância, devemos exigir de nós próprios e daqueles que nos rodeiam, um profundo respeito pela Marca Sporting e por tudo o que esta marca representa.
Os Sportinguistas devem sentir orgulho pelo Clube que têm, devem ter um elevado sentido de autoestima e apreço pelo Clube que, com os seus pais e avós, ajudaram a construir. O Sporting é também uma obra nossa que devemos preservar e esse sentido de pertença, esse brio, deve ser mantido, aconteça o que acontecer. A relação espiritual e irracional que fez que um dia nos integrássemos neste grande Clube tem mistérios que não sabemos decifrar, mas o vínculo é tão forte que exige que defendamos sempre, aqui e ali, hoje e sempre, o bom nome do nosso Clube, a Marca Sporting.
Complementarmente, urge que quem representa o nosso Clube assimile, sem reservas e com total entrega, o carisma da própria Marca Sporting, que tenha força e que projecte e eleve a nossa marca bem alto e que ouse o que outros nunca ousaram. Na verdade, quando uma marca é carismática ou quando aqueles que são o rosto da marca de um Clube, como atletas, ex-atletas, treinadores ou dirigentes, têm carisma, existe uma possibilidade real de ser gerada motivação para além das expectativas. Em virtude do prestígio, de uma imagem de força, de um simbolismo remoto, de uma reminiscência, surgem por vezes, índices de motivação nas equipas, nas ruas e nas bancadas que, à partida, poderiam ser difíceis de prever. Na gíria do futebol, é comum referirem-se a esta realidade como “mística”, ou “estrelinha de campeão”, mas, na minha modesta opinião, nem a “mística”, nem a “estrelinha de campeão” são produto do acaso... e custam muito a fabricar...
E, apesar de uma reconciliação histórica entre muitos Sportinguistas que tarda em ser feita, apesar de ser necessária uma catarse e um exame sério de autocrítica, de modo a que o Clube perceba – efectivamente – o que importa mudar, não obstante ser evidente que andamos há anos a disputar campeonatos sem a transparência, isenção e imparcialidade que se impunha, ainda que exista - cronicamente - um ambiente que claramente favorece os nossos adversários, apesar de termos todos assistido a situações de concorrência desleal em vários campeonatos, apesar de uma autofagia incompreensível, apesar de todas as "facadas" dadas neste Gigante do Desporto, resistimos a tudo, sobrevivemos a tudo e ainda aqui estamos, ainda aqui estamos de pé.
De facto, somos um Grande Clube.
Somos o Sporting Clube de Portugal.
terça-feira, 16 de Fevereiro de 2010
A única oportunidade...
Fonte: Bola Branca
PS - Ao perder pela diferença mínima (2x1), o Sporting continua em prova na Liga Europa. Valeu-nos, como sempre, Liedson. Poderá ajudar-nos - agora - o factor casa que nos falhou contra os "brumelhos". Assim todos percepcionem as suas responsabilidades...
segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2010
Ghost of Christmas Past
Afinal, que objectivos é que a Administração definiu para a equipa?
ESTADO DA NAÇÃO LEONINA - Parte III/III
Pudemos todos constatar, entre várias coisas, que o Presidente do Sporting Clube de Portugal (i) se revê no modelo do Futebol Clube do Porto, (ii) gostava que o Braga fosse campeão, (iii) vai liderar directamente a compra e venda de jogadores, (iv) e que, neste momento, defende que o objectivo é ... o 4.º lugar.
Verificamos também que o Presidente do Sporting Clube de Portugal não esqueceu o ex-treinador : (v) “Se o Paulo Bento cá estivesse, faríamos uma grande dupla, porque seríamos dois a dar o corpo às balas".
Last but not least, uma declaração que, sinceramente, não sei como qualificar: «O Sporting não é, não tem tiques e não tem hábitos de uma organização vencedora. Vamos ter que pedalar muito para ter hábitos de organização vencedora, a todos os níveis. Não apenas os onze jogadores que entram em campo mas todas as pessoas que devem ter uma postura, enquadramento e forma de trabalho completamente diferente» e ainda que: - "Assumo todas as responsabilidades pela situação que o Sporting atravessa."
Em todo o caso, quando pedimos uma Comunicação à Nação Leonina, quando reclamávamos um Discurso de Estado, estávamos longe de imaginar que o que iria ser dito se assemelharia a algo parecido com o que pudemos ler.
Com efeito, uma instituição centenária que é a maior potência desportiva nacional do País, repleta de história, de exemplos, de heróis, com uma vida cheia, deverá, pela sua identidade, pelos seus valores, pela sua própria cultura desportiva, preconizar ou padronizar modelos sem necessitar de se inspirar ou de copiar os de um rival que, a vários níveis, deixa muito a desejar. Seguramente, nenhum presidente de nenhum clube rival faria ou teria este tipo de declarações que só diminuem o seu próprio clube e enaltecem o rival.
Sobre a preferência pelo Braga na discussão de um título, quero sublinhar que um Presidente é um dirigente, não é um adepto. Tem de haver sentido institucional, tem de haver a noção da dimensão do Clube e é de evitar as considerações que qualquer adepto pode ter em “conversa de café”. O Presidente do Sporting Clube de Portugal não tem de gostar se A, B ou C são campeões ou não. Deve sim, fazer tudo o que estiver ao seu alcance para que o Sporting seja campeão nacional e não passar um atestado de menoridade ao seu Clube, quando outros têm muito menos condições para conquistar o título de campeão nacional. Mais, não se deve expor ao ridículo pelos adeptos e dirigentes de outros clubes grandes que, com certeza, lhe enviarão os melhores cumprimentos caso consigam, como é provável, conquistar um campeonato que muito dificilmente irá para Braga.
Sobre o facto de ir liderar directamente a compra de jogadores e venda de jogadores, gostaria de perceber quem é que decidiu, avaliou, avalizou, consumou as contratações de Caicedo, Fernandez, Angulo, Mexer, João Pereira, Sinama Pongolle e Pedro Mendes.
Referir que o objectivo é o 4.º lugar é perigoso e imprudente. O Sporting, em termos de campeonato, raramente cumpre o objectivo a que se propõe, pelo que nivelar tão por baixo, em Fevereiro, é sinal que não deveria nunca ter sido emitido... a ninguém, designadamente à própria equipa, aos associados, aos adeptos, aos adversários, etc. Teria sido preferível dizer que há muitos jogos até ao final da época e que o Clube disputará “jogo a jogo”, com o firme propósito de vencer todos eles. No final, fazem-se as contas. Teria sido mais inteligente e, apesar de tudo, menos contraditório, menos chocante, se tivermos em linha de conta o que foi dito no passado Verão de 2009.
Acresce que um Presidente de um Grande, haja o que houver, aconteça o que acontecer, nunca pode proferir uma declaração destas. Objectivo é o 4.º lugar? Alguém pensa que os presidentes dos três maiores clubes espanhóis, franceses, italianos, ingleses prestariam uma declaração destas? Algum dirigente dos nossos principais rivais em Portugal diria isto? É este tipo de declarações que, a prazo, fere de morte o prestígio da nossa marca e não se coaduna com a real dimensão do Clube.
Relativamente à referência a Paulo Bento e ao que disse, independentemente do respeito e apreço que tenho por Paulo Bento, esta declaração, no actual contexto, faz-me sentir pena de Carvalhal, uma profunda pena. Carvalhal é pessoa que também respeito, nem que seja pelo simples facto de ser hoje o treinador em exercício no nosso Clube, mas esta declaração tem um efeito devastador nas mentes de todos os treinadores – inteligentes e atentos – que estão no mercado e que puderam friamente analisar a postura, a conduta, os valores, do dirigismo leonino, nos dias que correm. Porventura, é por este tipo de declarações “a quente” e muito pouco reflectidas que o Sporting não consegue ser atraente para um determinado tipo de treinadores. É por disparates como estes que se dão certas recusas que, em boa verdade, se compreendem.
Por fim, quando refere que o Sporting não é uma organização vencedora, creio que o actual Presidente, de uma forma inequívoca, coloca em causa o trabalho de anteriores direcções, nas quais também teve responsabilidades. Em todo o caso, pode ser que esteja a interpretar mal e que esta análise de José Eduardo Bettencourt se refira, apenas, ao seu mandato.
Não obstante, sobre organizações, queria que todos pensássemos sobre a “nossa organização”, queria que todos pensássemos no seguinte:
Ora, se a nossa organização não é e não tem hábitos de uma organização vencedora - (sobre os “tiques” também não sei o que escrever, pelo que não escrevo) - isso deve-se ao facto de não termos Vencedores, de não termos referências, de não termos líderes, de não termos quem, com uma vontade férrea de ganhar, esteja na organização para Vencer.
Sobre a assunção de responsabilidades pela situação que o Clube atravessa, creio que o actual Presidente está a ser intelectualmente honesto. Revela discernimento e demonstra que está preparado para ser julgado pela História por aquilo que fez, por aquilo que não fez, por aquilo que tem feito e não tem feito à frente do Clube.
sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010
É este o vosso Sporting?
Partilho apenas convosco um episódio vivido naquela noite, na bancada, que ilustra em poucas palavras o equívoco que tem feito sofrer o Sporting de todos nós, de há muitos anos para cá, e que nos trouxe a este ponto. Um equívoco expresso ora na falta de visão, ora na ausência de noção do que é o nosso Clube. Ora na falta de profissionalismo, ora na inexistência de vontade de cumprir o ideal Leonino. Por vezes manifesto até na simples falta de pudor. Resumo tudo isto a uma frase que ouvi de Silva e Costa, ex vice leonino, com muitos anos de casa e portanto responsabilidade institucional incontornável no rumo assumido pelo Clube durante o "Projecto", seus sucedâneos e combinados. Aproximando-se o jogo do fim, Silva e Costa abandona a bancada mais cedo, e à passagem afirma que "agora é tempo de preparar a próxima época", complementando essa aparente constatação de facto com um esse sim evitável mas elucidativo e diria quase simbólico comentário: "para o ano é que é. E se não for para o ano é no seguinte. Ou num ano destes!".
quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010
ESTADO DA NAÇÃO LEONINA – Parte II/III
Urge reagir. Os associados precisam de um sinal inequívoco de vitalidade da parte de quem escolheram.
Por seu turno, com o afastamento da disputa de todas as provas nacionais, importa que os jogadores, devidamente enquadrados por quem sabe, por quem tem poder, por quem eles respeitam, honrem a camisola do Sporting e cumpram o que acordaram contratualmente. É preciso brio.
Apesar de muitos, designadamente eleitos, não compreenderem o peso, a grandeza, a dimensão do Sporting Clube de Portugal, alguém, ao nível interno, vai ter de se encarregar de transmitir, expressamente, a todos os membros da nossa equipa que, daqui em diante, terão de existir outros resultados. Basta de derrotas e de empates.
A situação é grave e, em resultado das opções que foram tomadas, pode agudizar-se se não houver discernimento e vontade de alterar o rumo.
Neste contexto, exige-se ainda mais responsabilidade à massa associativa do Clube.
Com efeito, se o Sporting ainda é o conjunto dos seus associados, como espero, todos teremos que perceber, com realismo, com pragmatismo, com bom senso, com prudência e elevado sentido de responsabilidade o que é que é melhor para o Clube, ou, no limite, para os mais pessimistas, o que é que é menos mau para o Clube.
A balcanização a que se assiste há muitos anos, decorrente de uma política sectarista, elitista e não conciliadora e de uma cultura que tende a converter associados em meros clientes e a erradicar a paixão, o brio, a autoestima, dos que um dia se juntaram a esta família, não pode continuar.
É certo que para isso também tem contribuído um ambiente de guerrilha acéfala e acrítica, sem estratégia, sem rumo, sem objectivos que, com base em teorias da conspiração, em crenças, em mitos urbanos, mas nunca suportada em factos, nunca estruturada em princípios, mas sim rudemente colada a cuspo por uma fulanização imprópria e pouco digna, à qual a grande maioria das pessoas de bom senso, que ainda constituem uma maioria, não atribuem o mínimo de credibilidade por manifesta falta de consistência e de rigor.
Aos que querem, legitimamente, efectivamente, participar e ajudar o Clube, ergam-se, levantem-se do chão e trabalhem – voluntariamente - pelo Sporting.
Dêem contributos. Foi para isso que serviu o Congresso Leonino. É para isso que deviam servir os blogs. Se há incompetência internamente – porque há e isso é evidente como se comprova pela análise objectiva de alguns resultados, ajudem o Clube. Não estarão a ajudar este ou aquele que, transitoriamente, está a servir uma instituição centenária.
Na nossa massa associativa, há gente com capacidade, com mérito, com vontade.
Deixem as “conversinhas inúteis de sopeiral”, deixem as "tricas de bisbilhoteiras", deixem as "intriguinhas de vão-de-escada”, preocupem-se menos com as “teorias da conspiração de filmezeco de quinta categoria”, não alimentem as novelas de gentinha desocupada, “verguem a mola”, honrem os valores do Clube e comportem-se como Homens porque o Sporting Clube de Portugal precisa de todos nós.
Somos cada vez menos e os que podem, querem, e têm o dever de fazer qualquer coisa positiva pelo Clube, cada vez se afastam mais e com isso tem perdido o Clube, pela falta de alternativas válidas, pela falta de “concorrência”, pela falta de outras perspectivas, de outros modelos, de outros programas. Quantos são aqueles que com carreiras feitas e em progressão, com prestígio, com qualidade de vida, com famílias, estão dispostos a dedicar parte do seu escasso e precioso tempo a um Clube que não se deixa governar? Onde tudo é conflito? Onde tudo é alvo de intriga e de discórdia? Onde o insulto cobarde e anónimo é mais rápido do que a velocidade da luz? Onde por cada tijolo que se coloca, alguém destrói três tijolos? Onde tudo se queima a troco de nada?
Se há instituição no Mundo em que a velha máxima – DIVIDIR PARA REINAR - faz todo o sentido, essa instituição chama-se: SPORTING CLUBE DE PORTUGAL.
Espero que um dia, os associados percebam o que aqui escrevi.
Lutarei até ao limite das minhas forças para que percebam a mensagem que lhes transmito, mas estou certo que um dia perceberão... um dia perceberão...
Apelo off topic
Caros companheiros adeptos e associados do Sporting Clube de Portugal
O Sporting vive tempos difíceis. Muito difíceis. Quase todos estamos de acordo. Quem não está anda, a meu ver, desatento, ou então não está de boa fé.
Estranhamente, constato que o principal mal do Sporting é a nossa forma de viver o nosso Clube. Não temos união, frequentemente desrespeitamo-nos na crítica ou criticamos sem outro propósito que o de dar voz aos nossos desalentos e, por vezes, ira.
Já o escrevi, da mesma forma que já o disse a quem me atacou de forma que não considero fundamentada: usem este fórum, que é livre, onde frequentemente nos apelidam de bestas e tudo um pouco. Usem este fórum com responsabilidade, Sportinguismo, mas também espírito de missão.
O que vos pretendo transmitir é o seguinte: Nenhum Clube, movimento associativo, colectivo, vive bem em clima de guerrilha e permanente ambiente de golpe de estado.
Hoje, indignados com as prestações desportivas, económicas, com uma liderança que não anda bem, e uma estrutura que não se vê e cuja competência tem de ser legitimamente questionada, quer-se eleições antecipadas. Deponha-se o Judas e coloque-se no seu lugar o “guerrilheiro” que mais ou melhor nos fala ao coração. Contudo, quem assim pensa parece esquecer-se de que quando o tal guerrilheiro por si escolhido for “poder” outros haverá que o consideram o Judas a depor. E depois? Mais uma guerrilha?
Existe uma diferença substancial entre guerrilha e critica. Usem da vossa liberdade de forma consciente e com sentido de missão. Não têm de trair as vossas convicções. Porém, procurem colocá-las ao serviço do Sporting. Ou seja, pensem, sintam, critiquem como acharem melhor, mas façam-no pelo Sporting.
Como? Assinem.
Deixem de lado os avatares e os anonimatos. O anonimato é a forma mais deplorável de critica. O anonimato é quentinho e confortável. O anonimato é o bitaite. É a boca que surge do meio da multidão. É a pequena bravata para auto-consumo.
Pensem Sporting antes de escrever, escrevam o que pensam e assinem o que escrevem. Somente assim se constituem como críticos válidos numa óptica de Sporting. Se não concordam, não formem milícias. Formem alternativas. Quando essas alternativas não ganham, pensem porquê e procurem fazer melhor.
Acima de tudo, o que vos peço é que usem este espaço de liberdade para, tal como nós, expressarem as vossas opiniões dando a cara. Eventualmente chamar-vos-ão “bestas”, “centauros”, “minotauros”, “judas” e tudo o mais. Não morrem por isso.
Entendam que a vossa opinião, quando deixar de ser anónima ou escondida atrás de um “leão que também é bravo, toca maracas na relva, está muitíssimo bem informado, e por aí fora...”, é uma opinião com rosto. É uma opinião que deixa a esfera do círculo restrito e assume uma dimensão de crítica válida e sindicável. É uma opinião comprometida, e quem não se compromete com as suas convicções, espera transmitir o quê e a quem?
Hoje, acima de tudo, é, também, disso que o Sporting precisa. O Sporting são os Sportinguistas, e os Sportinguistas têm de ter rosto. Têm de se comprometer. Têm de assumir o que querem fazer em prol do Clube. Errar e acertar. Mas estar lá. Participar. O anonimato não participa. Faz barulho.
Abraços a todos
quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010
ESTADO DA NAÇÃO LEONINA - Parte I/III
O Clube vive tempos conturbados. O Sporting não vive só de Futebol, mas não ignoremos que é este desporto que faz “girar a roda”.
Resulta claro que a época não foi preparada como devia ter sido. É evidente que há um deficit de competências, a vários níveis, e uma enorme falta de humildade na estrutura directiva – se é que há estrutura – para reconhecer e assumir as responsabilidades pelo actual estado das coisas, preferindo-se encontrar culpados aqui e ali, de modo a que “todo os males que vêm ao Mundo” se devam exclusivamente a um árbitro, a um torrão de terra, a um jornalista, a um comentador, etc.. Como se alguém de bom senso acreditasse nestas justificações miseráveis...
O discurso do “coitadinho” e da vitimização repugna-me. Os Homens não se lamentam. Pensam e agem para que não tenham de se lamentar, para que não tenham de andar sempre a queixar-se como animais feridos que, a ganir, lambem as feridas à espera da comiseração e da tolerância daqueles que com eles têm de conviver.
Com efeito, o Sporting é hoje um barco à deriva. É um clube que nos quartos-final da Taça de Portugal, perante um rival de sempre, não tem um membro do seu Conselho Directivo no Estádio do Dragão a representá-lo. É um clube que depois de sofrer uma derrota em Braga que comprometeu o acesso à Champions League e depois de ser goleado no Porto, perde em casa um confronto com a Académica que luta pela permanência no escalão máximo do Futebol Português e que é treinada por um homem que recusou o Sporting.
Entretanto, neste mar de derrotas, o comandante da nau estava ausente...
Coíbo-me de me pronunciar sobre os motivos que seguramente devem ter existido para que a ausência se verificasse. Coíbo-me de emitir opinião sobre os deveres que, na minha óptica, são inerentes ao cargo de presidente, seja esse cargo remunerado ou não. Em todo o caso, tendo em consideração (i) a fragilidade da estrutura da equipa do Futebol Profissional, (ii) a recente saída de Sá Pinto, (iii) a fragilidade de uma equipa técnica a prazo que mereceu um contrato com uma duração digna de um mero “período experimental”, (iv) a performance desportiva da equipa, (v) o calendário desportivo, (vi) o facto de estarmos a viver já o segundo maior jejum da nossa História em termos de títulos de campeão nacional, o timing da ausência é, a todos os níveis, desastroso e penalizador para todos, principalmente para José Eduardo Bettencourt.
Subsequentemente, no dia 9 de Fevereiro de 2010, o Sporting, em Alvalade, num ambiente atípico, disputa as meias-finais da Taça da Liga com o seu eterno rival.
A equipa do Sporting sofre uma pesada derrota infligida por uma equipa que poupa cinco titulares indiscutíveis.
Os sócios e adeptos do Sporting que compareceram sofreram muito mais do que isso. Constataram nesse dia que (i) nunca ficará clara a situação do número de bilhetes remetidos para a Luz, (ii) nunca ficará claro se os objectivos comerciais de receitas de bilheteira superaram a lógica desportiva do “factor-casa”, (iii) vários sócios e adeptos, sem qualquer sentido de preservação e sem pudor, cederam os seus cartões de associados e as suas game-boxes para que adeptos benfiquistas invadissem Alvalade numa prova a eliminar.
Quando vários membros da Centúria Leonina tiveram, em pleno sector B-30, que intervir para que um adepto Sportinguista não fosse agredido na sua própria casa por adeptos benfiquistas, quando situações similares ocorreram noutros pontos do Estádio de Alvalade, quando muitos nem sequer comparecerem para apoiar a equipa num jogo destes e responsáveis do Clube escancaram as portas ao “Uganda Benfica” para fazer receita como um Belenenses ou um Boavista, algo de muito grave se passa no nosso Clube.
Há princípios que não podem ser traídos e é importante que todos percebam que nenhum associado, por mais estatuto que tenha no Clube, é mais importante que o Sporting Clube de Portugal.
José Eduardo Bettencourt é uma pessoa a quem reconheço sportinguismo e que, (independentemente do processo kafkiano de elaboração de listas para os órgãos sociais que deu azo à actual situação de perfeito isolamento da figura do presidente, pois hoje está sozinho refém de opções infelizes que tomou e que teve de tomar), apoiei, de forma efectiva e peremptória, aquando da sua candidatura.
Não se pense que, apesar dos factos previamente expostos, José Eduardo Bettencourt não tem condições para continuar. José Eduardo Bettencourt foi eleito há menos de um ano, teve um resultado esmagador e continua a ter plena legitimidade democrática para cumprir o seu mandato de quatro anos, pelo que deve, desde já, fazer uma reflexão profunda sobre o Estado da Nação Leonina, ter sentido de autocrítica, comunicar, de forma inequívoca, à massa associativa aquilo que lhe vai na alma e aquilo que vai fazer para alterar o actual estado das coisas – (porque o seu silêncio perante os associados do Clube é, face às derrotas recentes e face à divulgação do teor das escutas, absolutamente ensurdecedor) - e trabalhar, trabalhar, trabalhar, reformando, renovando, revolucionando, de modo a não defraudar todos aqueles que tantas expectativas depositaram na sua pessoa e para que o Sporting volte a ter um estatuto consonante com a sua grandeza e com a sua História.
..no fundo..
Perder por 4 com os vermelhos, é de facto triste, mas não foi claramente o pior...
Com a "benção" do nosso presidente, pela primeira vez, fomos invadidos em nossa casa, parte do estadio foi "tomado", houve sócios do Sporting agredidos no 2ºanel da Central e na Superior Norte, onde, por incrível que pareça não estavamos em maioria. Parecia que estavamos a jogar em carnide!
São erros atrás de erros...
Não ha liderança,
Não ha estrutura,
Não ha visão,
Não ha coragem...
Vieira e Bettencourt... em harmonia!
Mais, "o encontro entre os presidentes dos emblemas rivais de Lisboa não ficou pelo camarote, já que antes de o desafio ter início, os responsáveis de Benfica e Sporting encontraram-se no beberete de direções que se realiza habitualmente quando existem relações institucionais entre os clubes."
A que será que brindaram?
"A malta da bancada"
Ora se o Sportinguismo não se mede, outras realidades falam por si.
Não obstante a oportuna "tourada" mediática - conveniente ou inconvenientemente não respondida por José Eduardo Bettencourt - em torno dos bilhetes cedidos ao benfica, a malta da bancada esteve hoje muito mal acompanhada no estádio. Os lampiões eram seguramente mais do que os 6/7 mil de que rezam as trocas de galhardetes desta semana... Além do que isso seguramente contribuiu para o que de triste se assistiu em campo, assistiu-se - no sector onde me encontrava - a algo verdadeira e tristemente inovador: um lampião que se achou no direito de entrar em picardia com um adepto do Sporting que, por sinal, teve de encontrar apoio na tal "malta da bancada" para não cair bancada abaixo. Não me pareceu que estivessemos em maioria.
Pior do que perder expressivamente com a ignomínia com quem partilhamos a cidade é jogar fora de casa em casa. A "malta da bancada" já não vai. E a "malta da Tribuna", que pensa sobre isso?
Para que o Sporting viva e a Lenda continue vai ser preciso muito mais. Vai, como aliás resulta do post abaixo colocado, ser preciso mais liderança...
Toda a escuridão que vai na alma
Eles eram muitos. Muitos mais que nós. Ficamos cercados. Vimos alguns de nós tombarem. Fomos trucidados.
Ainda estamos vivos. Continuaremos a lutar. Nunca nos renderemos. Mas hoje, um bocadinho de nós morreu.
terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
Hoje é pela Honra
Sobrevivência
Quando hoje leio que o nosso Presidente se juntou ao grupo durante o jantar "numa clara manifestação de solidariedade para com os jogadores e equipa técnica." pergunto-me se a equipa precisava de amparo público ou companhia para jantar. Pergunto-me também que vantagem teria a despesa que se intui (sem se confirmar) para tão fraco objectivo, já que esta taça ainda não tem expressão ou tradição. Pergunto-me e só me ocorre uma resposta.
Pelo meio, pouco depois da divulgação de "desrespeitos" vários por Pinto da Costa e na sequência de uma asserção lamentável de Vieira, conseguimos a proeza de ser desmentidos pela Polícia...
Ler: http://www.record.xl.pt/noticia.aspx?id=ed7c6257-53a9-46db-bd50-8be8108fdadb&idCanal=00000024-0000-0000-0000-000000000024 e http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=192918
segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010
Rui Patrício
Rui Patrício, para quem não sabe, chegou a Alvalade com 11 anos, recrutado pelo Mestre Aurélio Pereira, e daqui a uma semana, fará 22 anos e estreou-se na equipa principal do Sporting, em 19 de Novembro de 2006, num desafio em que protagonizou uma excelente exibição e, inclusivamente, defendeu um penalty.
Ao longo sua ainda curta carreira, afirmou-se no Sporting, foi internacional de sub-18, de sub-19 e foi titular da selecção nacional no último Mundial de sub-20, tendo sido o melhor jogador da equipa das quinas nesta competição e o seu nome, depois das convocatórias para a selecção-A , é incontornável no futuro imediato do futebol português.
Hoje, com contrato até 2013, depois de vários jogos em que graças a exibições suas somámos importantes triunfos – (a memória de alguns é curta) - e com uma cláusula de rescisão de € 20.000.000,00, Rui Patrício, um jogador corajoso, leal, excelente profissional e excelente colega que, desde muito jovem, teve de assumir a defesa das redes do Mítico Sporting Clube de Portugal, atravessa dificuldades. Dificuldades essas que têm inúmeras causas, entre as quais aponto o facto de jogar num conjunto que está longe, muito longe, de poder ser qualificado como: Equipa.
As razões de não termos uma Equipa são várias e este artigo não visa escalpelizar essas razões que, noutros artigos publicados por redactores da Centúria Leonina, têm vindo a ser indicadas.
Com efeito, hoje queria que nos centrássemos na defesa do Rui Patrício e, por consequência, na defesa do Sporting.
Queria que, com exigência, com honestidade intelectual, com elevado sentido de responsabilidade, todos tentassem perceber como deve ser jogar na baliza do Sporting com todos os problemas que existem, problemas esses que existem desde a base da pirâmide até ao topo. Queria que tentassem visualizar a defesa do último reduto quando à vossa frente, às vezes aqui, outras vezes ali, se claudica, se falha, se teme, se hesita... quando não há cultura, quando não há filosofia, quando não há uma dinâmica de vitória, quando não há espírito vencedor, quando não há organização, quando não há liderança em campo e fora dele, quando, enfim, não há Sporting! Como é que se pode ser Guarda-Redes do Sporting se não há Sporting em campo, ou se há, de vez em quando, uma "sombra", um "resquício" de Sporting?
Neste momento, e face ao que se está a passar, é preciso proteger o atleta, nem que para isso, ele tenha de ir para o banco durante este período negro. Haja visão para aferir e salvaguardar o valor deste jogador.
Bem sei que o Futebol é pródigo na formação de autodidactas que, por observação, por intuição, por crença, avaliam tudo e todos. Em todas as bancadas do Mundo, mas principalmente nas nossas, é frequente “queimar-se” o que é nosso. Isto é, aquilo que muito bom adepto critica nas estruturas do Clube – (que não sabemos preservar os nossos e que tratamos mal os da “casa”) – acaba por fazer, ao vivo e a cores, em pleno Estádio de Alvalade.
Foram várias as vezes a que assisti a indecorosos assobios àquele 7, de seu nome Luís Figo, porque fintava e caía no chão... e se pedia a entrada de... Capucho... foram também, muitas as vezes que assisti a insultos ao último grande 8 que tivemos, Pedro Barbosa, porque insista, porque persistia... depois, o mesmo sucedeu com Quaresma e Nani... – (creio que muitos desses que assobiavam estes jogadores que perdiam “a bola” numa finta, num drible, ainda não perceberam que a própria equipa estava preparada para tal, pois existem jogadores que, pela posição em que jogam, pelas qualidades que têm, são os que, em prol do colectivo, têm de romper, têm de rasgar, têm de arriscar, têm de imprimir velocidade, têm de mudar a história e o ritmo do jogo, têm de se atrever... sendo certo que é possível, para desespero dos adeptos mais ansiosos e inseguros, que ocorra uma “perda de bola”... ). Houve também outros episódios com jogadores de valor...
Porventura, quando o Rui Patricio, um dia estiver noutro clube, talvez aí, alguns percebam a qualidade que ele tem.
Citando Aurélio Pereira: “O importante não é ver aquilo que toda a gente vê, importante é ver aquilo que ainda poucos vêem ou o que ninguém consegue ver.”
E esta regra, aplica-se aos jogadores quando são jovens, mas aplica-se também, em grande medida, a muitas outras realidades.
Alma
1. O REGRESSO. O regresso de Bettencourt de terras de Vera Cruz estará agendado para hoje ou amanhã. Mais do que confirmar que o bronzeado está “porreiro”, estimo encontrar um Presidente focado no que o disse mover durante a candidatura: construir, com profissionalismo, um Sporting vencedor. Ausentando-se nos momentos difíceis é capaz de ser complicado. Mantendo-se em permanência calado é difícil. Sem coerência de actuação é impossível. São já uns meses de equívocos em que – creio – nem o próprio conseguirá dizer que esteve bem.
2. O ASSEIO. Com um título maldoso e/ou provocatório, O Jogo noticia que que Vieira se encontrará na Tribuna. Cita-o referindo que "a palavra é sagrada, a palavra é um contrato...uma SMS pode não ter valor jurídico mas é um compromisso a não desfazer.". Pior do que ver o meu Presidente deixar-se ofender por quem não tem por que dar lições é intuir-se que haverá fundo de verdade para um facto lamentável: andamos a tratar bem demais (leia-se, prometer bilhetes a lampiões e dificultar a compra a leões) quem não o merece. Ver aqui.
3. O EXEMPLO. Como muitos, indignei-me com o que fizeram com Sá Pinto após um momento de exaltação em clima de injustiça (e aqui reporto-me unicamente à situação com Artur Jorge, não com Liedson). Em função do que agora se lê sobre Queirós, basta um pedido de desculpas? Ver aqui.
4. UM BOM GUARDA-REDES. Rui Patrício é um bom guarda-redes que tem tido noites infelizes. Só o treinador tem condições para aferir se – atentas as características da sua personalidade – o protege mais jogando ou retirando de jogo mas, por certo, todos concordaremos que se uma vaia a um “frango” é normal, uma assobiadela durante o aquecimento é contraproducente. Ou não?
5. VERDADE OU CONSEQUÊNCIA? Os maus momentos de forma pagam-se caro. Os maus momentos da equipa pagam-se em regime de solidariedade. Em momento algum um mau momento de forma e de equipa se paga com ajustes de contas via media. Será para diluir o problema essencial do Sporting? É que é muito pouco solidário um tipo "tirar bilhete" (por hipótese, para a solarenga América do Sul) quando a sua equipa atravessa um momento complicado em baixa de forma e isso, parece-me, não terá sido Djaló a fazer. Ver aqui.
6. AUTOFAGIA. Desde João Rocha que, salvo momentos fugazes, o Sporting não se tem sabido governar por. Falta de qualidade das políticas, falta de solidariedade das equipas directivas e, sobretudo, falta de desígnio de quem dirige. Atingimos agora um novo patamar: falta de bom senso de quem propõe (de fora), devidamente acompanhado de uma ausência de “espírito de corpo” que – fora das fileiras da Centúria Leonina – temos registado em quem diz preparar um novo Futuro. Assim é evidentemente impossível pensar o Sporting.
7. FUTURO. O Futuro pode começar hoje. Sem bom senso pode, também, terminar hoje. Confio que somos capazes de construir pontes para, a prazo, o Sporting encontrar em todas (mesmo todas) as suas facções um desígnio comum. Vencer.
sábado, 6 de Fevereiro de 2010
De rastos...
Depois de saber que não devo assistir ao jogo da Taça da Liga no meu Lugar de Leão, que irá estar cercado e infestado de lampiões (lugar esse, recorde-se, pago à cabeça por 20 anos por uma mísera quantia de alguns milhares de euros), deixo-me convencer a ir ao estádio na companhia dos meus amigos Centuriões, mesmo que para tal tenha de comprar bilhete para outro sector.
Assim, vou comprar 9 bilhetes para todo o grupo. Chego à bilheteira e o que descubro? Que o Sporting só vende 2 bilhetes de cada vez aos Sportinguistas.
O meu Clube cede 12% do estádio à lampionagem, mas não deixa que 9 Sportinguistas indefectíveis assistam ao jogo juntos. O dinheiro da vermelhagem deve ser melhor que o nosso.
Neste quadro miserável a que o meu Clube chegou, aquilo que aconteceu a seguir pareceu-me tão natural como o sol levantar-se amanhã. Uma equipa do fundo da tabela, que nunca ganhou fora da sua casa neste campeonato e já não vencia há 9 jornadas, vem a Alvalade humilhar-nos e impor-nos a terceira derrota consecutiva. Bem, para falar com rigor, eles não humilharam nada. Fomos nós que nos humilhamos a nós próprios.
Posto isto, desejo que o Presidente volte depressa das suas férias. Para ver se ainda há alguma coisa para salvar quando ele regressar. Ou talvez ele tenha ido, precisamente porque sabe que já não há nada para salvar. Nem a nossa dignidade.
sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010
Só [que não de António Nobre...]
É manifesto que o actual Presidente do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal tem evidenciado algum cansaço ou que, pelo menos, tem permitido que o dito cansaço seja publicamente aventado, assim atenuando os rigores das críticas (justas) que algumas medidas por si (amiúde intempestivamente) tomadas lhe valeram.
É, finalmente, notório que nesta altura do ano o tempo no Brasil é particularmente "simpático", tudo sem que a opção de férias ou respectivo critério possam deixar de ser tidos como assuntos do foro estritamente pessoal do actual Presidente do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal.
Contudo, sucede que este Conselho Directivo não tem (pelo menos agora) um "número dois". E se o tem a título formal, nunca tal foi assumido publicamente, nunca qualquer outro dirigente assumiu publicamente um papel preponderante na gestão desportiva do Clube. Ora, neste contexto (e neste contexto apenas) não será um pouco temerário deixar só uma equipa que de tanta instabilidade tem padecido?
Que alguma coisa de útil decorra deste lamentável episódio (mais um): se ainda se acham em condições de começar a gerir o Sporting, que não o façam como um exercício solitário, para mais numa torre de marfim onde a(s) verdade(s) não chega(m). Porque o Sporting não pode viver decapitado.
Pelo meio, e depois da reacção que não vimos às palavras de Pinto da Costa, estamos todos de olhos postos no Brasil a aguardar a reacção às palavras de Luís Filipe Vieira...

